segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Os “milagres econômicos” da Guerra Fria

 

29/12/2012 11:41
Por José Luis Fiori - do Rio de Janeiro

Salvo engano, foi o jornal The Times que falou pela primeira vez – em 1950 – de “milagres econômicos”, referindo-se à países com prolongados períodos de altas taxas de crescimento econômico sustentado. Depois, esta expressão foi utilizada para caracterizar o crescimento da Alemanha, Itália, Japão, Coréia e Brasil, entre as décadas de 50 e 80, período áureo da Guerra Fria. Entre 1950 e 1973, o produto nacional da Republica Federal Alemã, cresceu à uma taxa média anual de 5,05%; no mesmo período, a Itália cresceu 5,68%; o Japão, 9,29%; e a Coréia do Sul, 9.85%. No Brasil, as taxas foram mais altas e descontínuas, com uma média de 8%, entre 1955 e 1960, 11%, entre 67 e 73, e 6,4% entre 74 e 80, mas com uma queda significativa no período 61/67. Assim mesmo, depois de 1980, a taxa de crescimento de todos estes países caiu de forma desigual mas permanente.
Guerra Fria
A lógica da Guerra Fria pesou decisivamente na origem dos “milagres econômicos” na Alemanha, Japão, Itália e Coreia, e na transformação posterior desses países em peças centrais da engrenagem econômica do poder global dos Estados Unidos, pelo menos até a década de 70
Agora bem, a despeito de suas grandes diferenças históricas e políticas, Alemanha, Japão, Itália e Coréia foram derrotados e destruídos – na II Guerra Mundial ou na Guerra da Coréia – e depois foram ocupados e transformados em “protetorados militares” dos EUA. Logo depois da guerra, a ideia americana era desmontar as antigas estruturas econômicas destes países. Mas depois do começo da Guerra Fria e do fim da Guerra da Coréia, este projeto inicial foi substituído por uma política diametralmente oposta de estimulo ao crescimento econômico, com forte dos governos locais, e dos próprios agentes econômicos e instituições privadas do pré-guerra. Por isto, se pode dizer com toda certeza que a lógica da Guerra Fria pesou decisivamente na origem dos “milagres econômicos”, e na transformação posterior daqueles países, em peças centrais da engrenagem econômica do poder global dos Estados Unidos, pelo menos até a década de 70.
No caso do Brasil – que foi aliado dos EUA na II Guerra – o caminho foi diferente, mas também se pode falar de um “convite” que foi aceito – depois do Acordo Militar Brasil-EUA, de 1952 – e que transformou o Brasil no pivot central da estratégia desenvolvimentista norte- americana, para a América Sul. A nova política foi experimentada primeiro com o governo JK – inteiramente alinhado com os EUA e com o colonialismo europeu – e só depois, a partir de 1964, sob comando direto do regime militar.
Depois de quase três décadas de “milagre econômico”, entretanto, este processo foi interrompido pela “crise americana” da década de 70, e pela nova mudança da política internacional dos EUA. Tudo começou com a reaproximação da China, no início da década de 70, que levou à derrota/saída americana do Vietnã, e ao redesenho do equilíbrio do poder, no sudeste asiático. Foi neste mesmo contexto que os EUA decidiram abandonar Bretton Woods, liberando sua moeda e iniciando a desregulação do seu mercado financeiro, com a lenta construção de um novo sistema monetário internacional, baseado no dólar, mas sem base metálica.
A nova estratégia permitiu o cerco e desconstrução final da URSS e o fim da Guerra Fria, mas ao mesmo tempo, ela desativou ou esvaziou o papel econômico que fora ocupado pela Alemanha e pelo Japão, e secundariamente, pelo Brasil, durante as primeiras décadas da Guerra Fria. O crescimento econômico médio anual da Alemanha caiu para 2,10%, entre 1973 e 1990; o do Japão, caiu para 2,97%; o da Itália, para 1,76; o da Coréia, para 6,77; enquanto o Brasil entrava num longo período de estagnação. No mesmo tempo em que a China se transformou no novo milagre econômico” do sistema capitalista mundial, enquanto a Alemanha e o Japão seguiam na sua condição de gigantes industriais e tecnológicos, mas com “pés de barro”, ainda na condição de protetorados militares dos EUA e sem dispor de recursos naturais essenciais, além de serem igualmente dependentes do ponto de vista alimentar e energético.
Assim mesmo, no início da segunda década do século XXI, pode ser que o Japão e a Alemanha venham a ser resgatados, uma vez mais, como caminho de saída da crise, para os EUA, e como instrumentos da nova doutrina Obama, que se propõe fazer – desta vez – o cerco econômico e militar da China. O Japão e a Coréia estão sendo pressionados para participar da Trans-Pacific Partenership – TPP, que é hoje a pedra angular da política comercial de Obama, e que se propõe reunir dos dois lados do Pacífico, numa grande zona de livre comércio.
Ao mesmo tempo em que a Alemanha vem sendo estimulada a liderar um grande pacto comercial transatlântico, entre a UE e os EUA, e há quem proponha que o Brasil se junte à “aliança do pacífico”. Neste novo xadrez, entretanto, o Brasil é muito menos desenvolvido que a Alemanha e o Japão, mas dispõe de recursos naturais e é auto-suficiente, do ponto de vista alimentar e energético. Por isto, talvez, só o Brasil tenha hoje condições reais de escolher um caminho que lhe dê maior grau de autonomia estratégica, e maior capacidade de projetar seus interesses e sua influencia, numa escala global.
José Luis Fiori é professor titular de Economia Política Internacional da UFRJ e coordenador do Grupo de Pesquisa do CNPQ/UFRJ “O Poder Global e a Geopolítica do Capitalismo”. (www.poderglobal.net).

Mídia conservadora tenta desestabilizar a sociedade brasileira com discurso extremista

 

30/12/2012 17:48
Por Gilberto de Souza - do Rio de Janeiro

Jornalistas são pagos pela mídia conservadora para defender o capitalismo contra os avanços de um Estado mais socialmente justo no país
Jornalistas são pagos pela mídia conservadora para defender o capitalismo contra os avanços de um Estado mais socialmente justo no país
O ano de 2013 tende a ser uma prova de fogo para a democracia brasileira. O governo da presidenta Dilma Rousseff, que ensaia reformas de base como o fim da miséria no país em plena crise na estrutura do sistema capitalista mundial; o Legislativo, no qual os partidos de esquerda vêem as legendas conservadoras submergir em uma série de derrotas históricas nas últimas eleições municipais; e o crescimento da mídia alternativa aos diários conservadores que, dia após dia, perdem mais leitores, assinantes e se debatem com a falta de apoio publicitário dos tradicionais parceiros, ligados a um capital internacional em via falimentar, são fatores que tensionam e tendem a radicalizar o processo político brasileiro.
Ao perceber a aceitação do discurso voltado à justiça social, ao fim da concentração de renda no país e ao abandono sistemático das fórmulas econômicas ortodoxas, os brasileiros têm mostrado, nas urnas, que o fio condutor da economia brasileira mudou e a transformação foi aprovada. No Estado de São Paulo, de longe o mais conservador do país, a proposta das esquerdas foi consagrada na eleição do ex-ministro Fernando Haddad, após uma costura de bastidores entre legendas de tendências que vão do comunismo ao obscurantismo religioso. Mas todos voltados para a derrota do então líder da legião conservadora, José Serra, ora de partida para o ostracismo. O pragmatismo político do novo centro de poder da capital paulista assegurou mais um passo na direção da realidade pretendida pelo governo da presidenta Dilma.
No Supremo Tribunal Federal (STF), um processo no qual escutas transcritas pela Justiça lançam graves suspeitas sobre os principais líderes da direita no país, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, seu então ministro da Saúde, José Serra, o ex-governador do Estado de Minas Gerais, Aécio Neves, senadores e líderes da direita mais extremada, é o próximo na fila de julgamentos e, na nova configuração da Corte, tende a cruzar os meses do segundo semestre de 2013 até meados do ano eleitoral. A Ação Penal (AP) 536 tende a abraçar, ainda, as denúncias contidas no best seller do jornalista Amaury Ribeiro Jr., A Privataria Tucana, que esmiúça o processo de privatização realizado no governo de FHC, sobre o qual pesa uma avalanche de ações na Justiça.
Percebe-se, assim, o gradual distanciamento da maioria do eleitorado brasileiro das velhas estruturas oligárquicas que, até hoje, mantêm-se aferroadas à máquina estatal como forma de garantir os interesses das grandes corporações na economia brasileira, apesar dos esforços cada vez maiores da mídia conservadora para minar a credibilidade da proposta vitoriosa nas urnas. O nível de convencimento do eleitorado permanece em queda para os principais líderes de audiência, entre eles o Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão, flagrado em um movimento escancarado de apoio ao candidato derrotado em São Paulo, durante o período do último horário eleitoral gratuito. O caso gerou uma representação contra a emissora, subscrita por Eduardo Guimarães, coordenador do Movimento dos Sem-Mídia, que segue seu curso na Justiça paulista.
Empurrados para o corner da sociedade, os velhos defensores do Estado autocrático, da mídia que apoiou a ditadura militar, da manutenção dos privilégios às castas mais ricas do país em detrimento à distribuição da riqueza nacional, estes se voltam cada vez mais raivosos contra os defensores do Estado justo, social e economicamente, em curso no Brasil desde a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. Diante das transformações inexoráveis, a mobilização dos líderes da direita em defesa de seus interesses também aumenta. Os canais de TV, os principais jornais e revistas impressos do país, as concessões de rádio que estes grupos empresariais detêm passam a transmitir mensagens cada vez mais claras aos seus aliados para que se levantem contra uma outra espécie de ‘perigo vermelho’, a exemplo do que ocorreu no golpe de 1964.
Desta vez, porém, tanto fatores externos quanto internos formam um caldo de cultura completamente toxico às quarteladas do século passado ou aos golpes patrocinados por setores ínfimos, e riquíssimos, da sociedade brasileira, com apoio de uns Estados Unidos de outrora que, hoje, lutam para se manter acima da linha d’água no panorama geopolítico mundial. O capitalismo em crise, por sua vez, também deixa a ver navios os segmentos mais reacionários em atividade no Brasil, como o da mídia, embora instituições como o Instituto Millennium, destinadas à sobrevivência do ideário capitalista a qualquer preço, monitorem as reações ao surgimento de um novo modelo social no Brasil e na América Latina, onde países como Argentina, Bolívia, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela caminham a passos largos na direção do socialismo.
Tais reações, espelhadas nas páginas dos meios conservadores de comunicação ou nas telas das redes de TV ligadas aos setores mais retrógrados do pensamento brasileiro, no entanto, têm o poder de esticar a corda da paciência de cada cidadão, a ponto de levar a sérias rupturas nos meios familiares e mesmo em certas relações de trabalho ou de amizade. O radicalismo da mídia conservadora se exacerba, por exemplo, em um dos programas do canal fechado de jornalismo Globonews, no qual o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega explica porque é importante pagar uma conta de luz mais cara e de que forma uma medida de alto impacto econômico, como a redução no preço da energia elétrica, seria quase um ato terrorista praticado pela presidenta do país.
Em certas circunstâncias, a agenda da direita brasileira volta-se muito mais à queda do modelo social em curso do que para o fim de uma gestão, em certos aspectos, simpática ao empresariado, como é o caso da atual. Assim, o discurso pseudo-moralista que vigora nas principais colunas dos diários ou nos programas da TV ligados aos conservadores espraia-se para a sociedade de forma a provocar reações cada vez mais extremadas. É o próprio Eduardo Guimarães que relata, a seguir, ser vítima de ameaças por conta de suas posições políticas de apoio ao presidente Lula e à presidenta Dilma.
Segundo Guimarães, há um processo que se materializa no país e que ele já viu “ocorrer em países sul-americanos (…) com destaque para a Venezuela”.
“Não foi uma só vez em que fui ameaçado de espancamento ou de morte tanto via comentários aqui no Blog (da Cidadania) quanto no Twitter”, relata Guimarães.
“Nunca dei maior importância a esses psicopatas. Apesar de achar que só fazem tais bravatas por trás de um computador, um deles foi munido de cartazes me caluniando ao encontro de blogueiros em Brasília, em 2010, e, em dado momento, fez menção de me agredir. O mais grave é que um maluco é uma coisa, mas, naquela oportunidade, o pirado estava com um irmão tão pirado quanto ele. Ou seja, se eram doentes, a doença atingiu a ambos. Claro que, tanto quanto as outras ameaças que recebi, esta também será enviada às autoridades devido à gravidade, pois o indivíduo, obviamente que oculto sob um pseudônimo, ameaçou me matar a tiros”, afirma.
Em uma das ameaças, devidamente comunicada à polícia, o leitor identificado apenas como Galeão Cumbica, em comentário a um de seus artigos, promete atirar no redator
“Só de pensar que esse tipo de animal com nome de gente, Eduardo Guimarães, financiado com dinheiro publico escreve um lixo desse calibre, dá vontade de encontrar o sujeito e meter-lhe um balaço no meio da cara!!! (…)”, afirma o comentarista. Para Guimarães, a afirmativa não passa de “uma bravata”.
“Nem acho que quis me intimidar. Apenas externou seu ódio, um ódio que não nasceu em si, mas que foi instilado pela mídia, pelos Reinaldos Azevedos, Augustos Nunes, Elianes Cantanhêdes e congêneres. O problema, portanto, não sou eu ou esse pirado – nem os outros tantos que há por aí. O problema é que a direita midiática está desencadeando, no Brasil, um processo que vi, recentemente, em países vizinhos. Até alguns poucos anos atrás eu viajava bastante à Venezuela e, lá, vi várias cenas de batalha campal. Certa vez, chavistas e antichavistas quebraram uma lanchonete em que eu estava. Cheguei a levar um murro no estômago ao tentar proteger uma moça empurrada por um dos brigões. Vi essas coisas acontecerem, também, na Bolívia e no Equador. No Brasil, tudo tem se resumido, salvo exceções, à internet, com os valentões bem escondidinhos por trás do computador, inclusive usando codinomes”, escreveu Guimarães.
Gilberto de Souza é editor-chefe do Correio do Brasil.


------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ ««««««««««««««FESTAS FELIZES E PRÓSPERO 2013»»»»»»»»»»»»»»»

Israel reforça ocupação da Palestina

 

31/12/2012 12:25
Por Redação, com Vermelho - de Gaza

A aprovação de um novo empreendimento habitacional com seis mil casas a Oeste da cidade de Belém, na Cisjordânia
A aprovação de um novo empreendimento habitacional com seis mil casas a Oeste da cidade de Belém, na Cisjordânia
Construção de novos colonatos, cativação de receitas e salários, incursões punitivas e provocadoras, detenções em condições extremamente duras e manutenção do bloqueio a Gaza são algumas das medidas aplicadas por Israel em retaliação ao reconhecimento da Palestina como Estado pela Assembleia-geral das Nações Unidas.
A aprovação de um novo empreendimento habitacional com seis mil casas a Oeste da cidade de Belém, na Cisjordânia ocupada, onde já vivem 310 mil colonos israelitas, foi o último acto da massificação de colonatos imposta nas últimas semanas. Antes, as autoridades sionistas já haviam decidido a construção de mais 2610 habitações em Jerusalém Leste, território anexado pelos sionistas para onde já foram cerca de 200 mil israelitas.
Em contraste, em todo o mundo estima-se que existam cerca de 11 milhões de palestinianos refugiados, metade dos quais dispersos por vários países do Médio Oriente.
A política de expulsão dos palestinianos e edificação de bairros para colonos tem sido empreendida e condenada desde 1967, facto que voltou a repetir-se agora na ONU, com um apelo do Conselho de Segurança para que o governo de Telavive suspenda os projectos que, sublinhou o órgão, violam o direito internacional e inviabilizam a solução pacífica de dois Estados.
Israel não faz caso e prossegue, assim, e de forma agravada, o terrorismo de Estado que vem implementando desde que a ONU sufragou por larga maioria o estatuto de membro-observador ao estado da Palestina.
Entre outras ações de caráter punitivo impostas desde então, estão a confiscação dos salários dos funcionários palestinianos e dos impostos recolhidos à população, num total de quase 93 milhões de euros, justamente quando as Nações Unidas apelaram aos doadores internacionais para que disponibilizem com carácter de urgência fundos para ajudar o povo e a Autoridade palestinianos.
Simultaneamente, continua o férreo bloqueio a Gaza, que desde 2007 empurrou 80 por cento da população para a dependência do auxílio internacional, e destruiu 60 por cento das empresas da Faixa.
Acrescente, por exemplo, a manutenção da destruição de cisternas (44 desde o início de 2011). As infra-estruturas são utilizadas pelas comunidades na agricultura e constituem um elemento histórico da soberania palestiniana sobre o território que, neste contexto, é abandonado por falta de acesso das populações à água.
Sionismo criminoso…
Nas prisões de Israel, neste momento, 18 palestinianos gravemente doentes encontram-se sem a devida assistência médica, e no início deste mês, na Cisjordânia, 20 outros foram feridos durante uma acção de provocação israelita. O exército invadiu Hebrón para capturar um polícia palestiniano, que resistiu à prisão despropositada e foi auxiliado por companheiros locais, o suficiente para desencadear uma batalha que resultou em duas dezenas de vítimas palestinianas em poucas horas.
Nesse mesmo dia 7 de Dezembro, a Human Rights Watch emitia um comunicado no qual acusava Israel de ter violado sistematicamente as leis da guerra na última agressão à Faixa de Gaza, e dois dias antes, a 5 de Dezembro, 174 países votaram nas Nações Unidas um texto que exige a Israel que permita a inspecção internacional do seu programa nuclear. O documento só foi rejeitado pelo Canadá, Micronésia, Palau, Ilhas Marshal, Israel e EUA.
Os norte-americanos foram mesmo mais longe e, em jeito de presente de Natal, anunciaram o enviou para Israel de um novo carregamento de 17 mil bombas de vários tipos. O objectivo é repor o stock gasto no mais recente ataque à Faixa de Gaza, atestando, uma vez mais, o apoio dos EUA em toda a linha aos crimes repetidos dos sionistas.
Pobreza em casa
Israel, cuja população regista uma das mais elevadas taxas de pobreza dos países homólogos. É o que afirma a OCDE, que não esconde, num relatório recentemente publicado, que as carências económicas são a principal preocupação do povo israelita, muito à frente do terrorismo e das agressões externas.
O mesmo estudo revela ainda que 75% da população teme o colapso económico e social do país, preocupação fundamentada por uma outra pesquisa, da responsabilidade do Instituto Nacional de Seguros, segundo a qual uma em cada cinco famílias israelitas vive abaixo do limiar da pobreza.
Tudo isto confirma a tese marxista de que “não pode ser livre um povo que oprime outros povos”. E não o são, de facto, os israelitas, amarrados à miséria imposta pelos seus próprios governantes.


Os comentários às matérias e artigos aqui publicados não são de responsabilidade do Correio do Brasil nem refletem a opinião do jornal.
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ ««««««««««««««FESTAS FELIZES E PRÓSPERO 2013»»»»»»»»»»»»»»»

Cientistas russos podem ter descoberto a cura das doenças de Alzheimer e Parkinson : Voz da Rússia

31.12.2012, 12:50, hora de Moscou
Imprimirenviar por E-mailPostar em blog
Parkinson, Alzheimer, remedio
RIA Novosti

Cientistas russos estão testando um novo medicamento que salva as células nervosas da destruição. No futuro, esta substância poderá combater as patologias mais difundidas do sistema nervoso – a doença de Parkinson e de Alzheimer, derrames e até mesmo a depressão. Agora, a invenção está na fase de testes complementares. Os especialistas acreditam que o medicamento será aplicado já nos próximos anos.

O combate às doenças do sistema nervoso central é uma tarefa difícil e cara – um ciclo de tratamento das doenças de Parkinson e de Alzheimer custa cerca de 1 milhão de dólares. Nos últimos 25 anos, cientistas de todo o mundo pesquisam meios de simplificar e aperfeiçoar este processo. Uma das principais dificuldades é não haver total conhecimento sobre os processos químicos que ocorrem no cérebro – diz a cientista e doutora em medicina Larissa Chigaleichik:
"O cérebro possui propriedades defensivas. Ele não aceita bem os remédios. Isto é, o remédio deve ser aplicado diretamente no cérebro para não se perder no fígado e não se destruir nos rins. Este é o principal problema. Agora estão sendo criadas novas variantes de introdução desses remédios em animais, estes problemas estão resolvidos."
Os cientistas russos estão mais perto do êxito – diz a dirigente do Departamento de Química do Instituto de Pesquisa científica V.V.Zakussov, da Academia Russa das Ciências Médicas, Tatiana Gudasheva:
"Nós estudamos vários modelos de Alzheimer, vários modelos de Parkinson, vários modelos de derrame e em todos eles tivemos resultados positivos. Nós já obtivemos a patente russa. Agora estamos patenteando em outros países. Nós pedimos a patente americana, a patente europeia e entregamos o requerimento na Índia e China."
Segundo o diretor do Instituto de Pesquisas Científicas de Farmacologia da Academia das Ciências Médicas da Rússia, Serguei Seredenin, a elaboração está na fase pré-clínica de pesquisas. Isto significa que a substância pode se tornar remédio já nos próximos anos.
Os cientistas russos pedem para não sobrestimar o significado da elaboração, até que ela passe por todos os testes pré-clínicos e clínicos. Somente depois deles, ela poderá se tornar medicamento. Farmacêuticos de diferentes pontos do mundo disseram reiteradas vezes que os remédios contra as doenças de Parkinson e Alzheimer podem ser criados já no futuro próximo.
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------««««««««««««««FESTAS FELIZES E PRÓSPERO 2013»»»»»»»»»»»»»»»

2013: a quem trará sorte o ano da serpente?: Voz da Rússia

31.12.2012, 15:18, hora de Moscou
Imprimirenviar por E-mailPostar em blog
serpente, ano novo de 2013, astrologia
RIA Novosti

O próximo ano trará sucesso aos representantes das profissões intelectuais. Os principais astrólogos russos fizeram, especialmente para a Voz da Rússia, as suas previsões para o novo ano.

O ano que agora começa será dominado pelo calculismo e astúcia. Terão êxito os que planejarem tudo ao pormenor e não aqueles que gostam de arriscar. Os astrólogos recomendam dar mais atenção ao orçamento pessoal e, na medida do possível, reduzir as despesas.
A “dona” do próximo ano, a serpente, não gosta de gastadores. As estrelas predizem felicidade àqueles que encaram as questões do amor com seriedade. O ano de 2013 será bom para casar e estabelecer relações fortes. Os astros estarão especialmente favoráveis aos representantes dos signos do ar. As pessoas de Balança, Aquário e Gémeos resolverão todos os seus problemas e terão sorte na maioria das áreas, diz a astróloga Alena Adler.
“Os de Balança não terão praticamente problemas neste ano. Se no ano passado eles tiveram que trabalhar arduamente, agora chegou o tempo de colher os frutos. As pessoas de Gémeos verão finalmente a série de azares chegar ao fim. Este ano a sorte sorrir-lhes-á. Elas conseguirão ganhar bom dinheiro e fazer relações que lhes virão a ser úteis. Já os representantes de Aquário terão muitas ideias criativas, ideias que conseguirão realizar graças às suas qualidades de organização e liderança”.
As mudanças esperam os representantes de Caranguejo, Peixes e Escorpião. Existe a possibilidade de mudar a sua vida radicalmente, diz o astrólogo Viktor Istomin.
“Para os de Caranguejo, o próximo ano pode trazer uma mudança de trabalho ou nas relações afetivas. Os de Escorpião terão preocupações domésticas no início do ano. Convém estarem preparados para complicações burocráticas que, não obstante, acabarão por ser ultrapassadas. Para os Peixes, os amigos e parceiros serão um importante apoio no trabalho. Na segunda metade do ano, os Peixes terão grandes despesas, possivelmente a compra ou uma mudança de casa”.
Os signos da Terra não estão imunes a mudanças. No entanto, para o Touro, Capricórnio e Virgem, estas mudanças serão no geral positivas, diz Alena Adler.
“2013 trará mudanças à vida pessoal das pessoas de Touro. Em abril e maio, terão a possibilidade de alterar a sua vida para melhor. Para os representantes de Virgem, os problemas nas relações afetivas ficarão em segundo plano. As circunstâncias permitir-lhes-ão melhorar o seu nível de vida e posição social. Os de Capricórnio no próximo ano passarão a encarar a sua vida de forma mais responsável. Terão mais sorte os que trabalham na área da educação, construção civil e iniciativa privada”.
As pessoas dos signos de Leão, Sagitário e Carneiro terão bastantes surpresas no próximo ano: novos conhecimentos e novas possibilidades. Para ter êxito, é preciso não ter medo das circunstâncias e agir com determinação, sublinha a astróloga Tamara Yudina.
“Para o signo de Leão, o ano será positivo. A sua popularidade e respeito por parte dos outros aumentarão, a sua capacidade de influenciar as pessoas será reforçada. Os leões poderão utilizar esse aspeto para alargar os seus poderes ou subir na carreira. Já as pessoas de Carneiro terão que estar sempre em tensão, prontas para acontecimentos imprevisíveis. Para os de Sagitário, a palavra-chave do ano será “inesperadamente”. Eles poderão vir a receber algum presente do destino, como uma inesperada renda extra. Não devem ter medo de falar de suas ideias, este ano é bom para as pessoas criativas”.
No geral, no próximo ano haverá muito menos turbulência que em 2012. O mundo começará a sair da crise. Os astros mostram que, na vida política da Rússia, poderão surgir novas figuras influentes, diz Viktor Istomin.
“Na arena política nacional irão aparecer novas figuras. No plano financeiro, ocorrerão acontecimentos inesperados. A crise começou em 2008 mas não foram tomadas medidas reais para esta ser definitivamente ultrapassada. Por isso, nos próximos anos, será introduzida uma moeda mundial. Esta será a única coisa que permitirá à humanidade sair do beco sem saída”.
Segundo o horóscopo chinês, 2013 será o ano da serpente de água. Ele trará muitas decisões ponderadas e justas, sorte a todos os signos do Zodíaco ligados às profissões intelectuais. A serpente substituirá o dragão no próximo 10 de fevereiro
 
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------««««««««««««««FESTAS FELIZES E PRÓSPERO 2013»»»»»»»»»»»»»»»

Quem lucrou com o fim do mundo?: Voz da Rússia

31.12.2012, 16:26, hora de Moscou
Imprimirenviar por E-mailPostar em blog
fim do mundo, resultados
© Colagem: Voz da Rússia

O fim do mundo ficou para trás. Agora, há todas as razões para fazer o balanço do evento. A quem aproveitou a ideia do apocalipse? É sabido que um em cada dez habitantes da Terra acreditava que o mundo iria acabar em 21 de dezembro de 2012. Certos empresários souberam aproveitar-se destes receios e obter bons lucros.

Os especialistas afirmam que os mais beneficiados com a ideia do fim do mundo foram as agências de viagem, a mídia, as agências de publicidade e os pequenos empresários. O México e El Salvador chegaram a assinar um acordo especial sobre a divulgação da ideia do fim do mundo. Em resultado disso, a terra natal da civilização maia recebeu neste ano quase três vezes mais turistas do que antes. Muitas companhias vendiam atrevidamente somente passagens de ida. Portanto, o tema de apocalipse virou para muitos empresários uma espécie de “boia de salvação”,- explica o consultor político Anatoli Vasserman.
"A teoria do fim do mundo proporciona vantagens em primeiro aos que atuam de acordo com o antigo ditado: quanto mais turva é a água, tanto mais peixe se pode pescar nela. É sabido que os boatos sobre o fim do mundo existiram desde sempre. Há muitos séculos, no ano 1000 d.C. também se dizia que o mundo iria acabar. Nessa época, um grande número de comerciantes ganhou muito dinheiro adquirindo a preço de banana tudo que as pessoas que acreditavam no próximo fim do mundo resolveram vender a fim de aproveitar os últimos dias para se divertirem."
Este ano, o segundo maior beneficiado com o fim do mundo foi o setor de construção civil. Nos EUA, a construção de uma casa-abrigo custava a partir de dez mil dólares. Na Rússia os ingressos nos abrigos subterrâneos, os bunkers, eram vendidos a mil dólares por pessoa. Ao mesmo tempo, houve também soluções menos comuns. Por exemplo, Evgueni Ubiiko, um inventor que vive na região de Moscou, projetou uma cápsula de salvação que faz lembrar uma cabina revestida de folha de alumínio. O cientista inventou uma alternativa ao uso da cabina caso o prognóstico não se realizasse, ou seja, se o fim do mundo não acontecesse. A sua estrutura, no valor de 80 mil dólares podia ser utilizada na qualidade de sauna ou de…. frigideira industrial. A internet fazia publicidade a diversas camisetas com inscrições do tipo “Este é o último dia”, a kits especiais para o fim o mundo, - com fósforos, velas e vodka, - e de agendas para cartas destinadas às futuras gerações.
Todavia, nem todos concordam que os empresários conseguiram ganhar muito dinheiro na véspera do apocalipse. Alguns peritos recordam o início do século XXI, quando uma das versões mais populares era a ideia de que todos os computadores iriam ficar fora de serviço e que, em resultado, os aviões iriam cair. Os programadores americanos ganharam cerca de 200 milhões de dólares desenvolvendo programas de segurança especialmente para este caso. Em comparação com isso, a vantagem obtida pelos homens de negócios na véspera de 2013 foi insignificante.
É possível que ninguém soubesse do fim do mundo se não fosse o cientista russo Yuri Knorozov, pois foi precisamente ele quem conseguiu decifrar a língua dos maias e o seu calendário, no qual o dia 21 de dezembro de 2012 era apontado como o “dia X”. A principal descoberta que o linguista fez no processo do seu trabalho foi esta – cada sinal da língua maia designava não uma letra, mas sim uma sílaba. Este foi um grande salto em frente no estudo da escrita dos índios maia, diz o escritor Oleg Shishkin.
"O nosso compatriota Yuri Knorozov conseguiu decifrar esta escrita com tamanha eficiência que muitas pessoas ficaram pasmadas. O cientista americano Thomson tentou demonstrar durante muitos anos que o trabalho de Knorozov não passava de uma invencionice e somente na véspera da morte confessou aos colegas que podiam informar o cientista russo que ele tinha razão."
Agora já se podem conhecer os prognósticos de apocalipses para os próximos anos. Por exemplo, de acordo com a mitologia escandinava, o fim do mundo pode ocorrer em 2013; de acordo com a versão de certos cientistas, a poeira cósmica vai absorver o Sistema Solar em 2014 e há quem afirme que o vírus mortífero Ébola vai matar a humanidade em 2015. Parece que o cronograma do fim do mundo será renovado regularmente para os que sobreviverem a estas datas.
 
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------««««««««««««««FESTAS FELIZES E PRÓSPERO 2013»»»»»»»»»»»»»»»

domingo, 30 de dezembro de 2012

Chávez num "estado delicado" após novas complicações

Pós-operatório em Havana

Por Susana Salvador, com agências Hoje1 comentário


Chávez num "estado delicado" após novas complicações
Fotografia © Reuters
O vice-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou que continuará em Havana nos próximos dias depois de o Presidente ter sofrido novas complicações após a operação.
Maduro tinha viajado no sábado para Cuba para visitar Hugo Chávez, de 58 anos, que recupera de uma operação a que foi submetido há duas semanas por causa de um cancro.
De acordo com o vice-presidente, Chávez continua num "estado delicado" e a sua situação implica riscos. Nas últimas horas, sofreu "novas complicações" por causa da infeção respiratória que sofreu há uma semana.
Maduro ter-se-à reunido já várias vezes com os médicos e esteve com o próprio Chávez, que lhe falou "destas complicações". Na sua breve intervenção à rádio e televisão venezuelana, ao lado de uma das filhas do Presidente, Rosa Chávez, indicou que o líder bolivariano enviou "votos de bom ano à família venezuelana".
Chávez chegou ao poder em 1999 e foi eleito para mais um mandato em outubro. A tomada de posse está marcada para dia 10 de janeiro, mas poderá ser adiada. O Presidente, a quem foi diagnosticado um cancro em julho de 2011, já foi operado quatro vezes desde então. Antes da última operação, designou oficialmente Maduro como seu sucessor, apelando aos venezuelanos que votassem nele caso algo lhe aconteça.
 
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ ««««««««««««««FESTAS FELIZES E PRÓSPERO 2013»»»»»»»»»»»»»»»

Japão termina o ano com recorde de 133 presos no corredor da morte

 

O Japão condenou este ano à pena capital sete pessoas, enquanto o número de presos no corredor da morte ascende a um recorde de 133 condenados.
O Japão, o único país desenvolvido e democrático que aplica a pena de morte, a par dos Estados Unidos, executou três condenados em março, dois em agosto e dois em setembro, depois de no ano passado não ter condenado ninguém à pena de morte e de em 2010 ter aplicado a pena capital a dois condenados.
O número de condenados à morte executados este ano é o mesmo registado em 2009, enquanto em 2008 foram executados 15 condenados.
Desde 2009 foram condenadas 15 pessoas à pena de morte, três das quais foram executadas na forca, método que o Japão aplica secretamente, sem aviso prévio nem testemunhas.
Segundo uma sondagem oficial realizada em 2009, mais de 85% dos japoneses apoia a pena de morte, considerando-a como uma medida "inevitável", apesar dos protestos de várias organizações humanitárias e de diversos grupos civis.
O último protesto contra a pena de morte no Japão teve lugar no início de outubro, quando cerca de 280 pessoas se manifestaram em Tóquio, dez dias depois da execução de dois condenados e em vésperas da celebração do Dia Mundial contra a Pena de Morte.

Hugo Chavez: Venezuela leader suffers 'new complications'

 

Hugo Chavez (file image) President Chavez, 58 is due to be sworn in for his new term on 10 January

Related Stories

Venezuelan President Hugo Chavez has suffered "new complications" after a cancer operation in Cuba, his vice-president has said.
In a televised address from Cuba, Nicolas Maduro said Mr Chavez continued to be in a "delicate state".
Mr Chavez underwent his fourth cancer operation on 11 December in Cuba but suffered a respiratory infection.
The president - who has been in power since 1999 - won another term in October's election.
Mr Maduro did not give details about Mr Chavez's condition but said the latest complications were connected to the respiratory infection.
"We have been informed of new complications that arose as a consequence of the respiratory infection we already knew about," he said.
"The president gave us precise instructions so that, after finishing the visit, we would tell the (Venezuelan) people about his current health condition.
"The state of health of President Chavez continues to be delicate."
He added that the treatment was "not without risk."
Nicolas Maduro makes address from Havana Nicolas Maduro, second right, made the televised address from Havana
Mr Maduro, appearing solemn, spoke alongside Mr Chavez's eldest daughter, Rosa, his son-in-law Jorge Arreaza, and Venezuelan Attorney General Cilia Flores.
The vice-president said he would remain in Havana "for the coming hours" but did not specify how long.
Late on Sunday, Venezuela's Information Minister Ernesto Villegas said a government-organised New Year's Eve concert in central Caracas had been cancelled and he urged Venezuelans to pray for President Chavez.
The BBC's Sarah Rainsford in Havana says it is now three weeks since Hugo Chavez has been seen or heard from in person.
There continues to be huge secrecy surrounding his precise condition, she says.
There are also many questions about what will happen on 10 January when Mr Chavez is due to be re-inaugurated, our correspondent adds.
National Assembly head Diosdado Cabello recently said that the swearing-in ceremony would be delayed in the case of Mr Chavez's absence.
However, opposition leaders say postponing the inauguration would be unconstitutional.
The constitution states that if there is an "absolute absence" of the president, elections must be held within 30 days.
Mr Chavez has said that, should his health fail, Venezuelans should vote for Mr Maduro in fresh elections.
Officials have never disclosed the type or severity of Mr Chavez's cancer, which was first diagnosed in June 2011.

More on This Story

Reina calma em Baraguá após incêndio no posto fronteiriço


Mais um incidente com Malawi.
As escaramuças começaram quando os familiares de um cidadão malawiano, retido no posto policial por entrada ilegal em solo moçambicano, atravessaram a linha de fronteira a fim de o resgatar.
O Ministro do Interior, Alberto Mondlane, reiterou, no último sábado, que a região de Baraguá, distrito de Mandimba, província do Niassa, norte de Moçambique, vive actualmente uma atmosfera de sossego e tranquilidade, apesar do recente incidente traduzido no incêndio do posto policial da guarda-fronteira.
O episódio ocorreu na última segunda-feira, véspera do Natal, quando vários indivíduos idos do país vizinho invadiram o posto policial, do lado moçambicano, onde espancaram o agente em serviço e, ao mesmo tempo, tentaram, sem sucesso, apoderar-se da sua arma de fogo, tipo AK-47.
As escaramuças começaram quando os familiares de um cidadão malawiano, retido no posto policial por entrada ilegal em solo moçambicano, atravessaram a linha de fronteira a fim de o resgatar.
Após o resgate do seu concidadão, retornaram ao território moçambicano para, desta feita, “ajustar contas”, tendo, para o efeito, incendiado as instalações da Guarda-Fronteira daquele distrito do Niassa. Aliás, na sequência das escaramuças registadas no local, duas pessoas, segundo a Rádio Moçambique (RM), emissora pública nacional, ficaram feridas.
Leia mais na edição impressa do «Jornal O País»
 
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ ««««««««««««««FESTAS FELIZES E PRÓSPERO 2013»»»»»»»»»»»»»»»

“Se um docente não produzir, poderá ser convidado a sair da academia”


Arlindo Chilundo
Grande entrevista com Arlindo Chilundo: vice-ministro de Educação.
“Todas as instituições do ensino superior devem ter carreira do corpo docente. O regulamento força as unidades orgânica a controlar o seu corpo docente. Se um docente não produzir, poderá, mais tarde, ser convidado a sair da academia. Reconhecemos a existência de professores turbos, mas não é tão mau quanto se procura dizer, o que é mau é a falta de controlo do corpo docente por parte das instituições”.
Há problemas de investigação nas instituições públicas do ensino superior. Onde está o problema?
Há investimentos. Estamos, neste momento, no processo de formação de cidadãos a nível de doutoramento e a nível de mestrado. Só no momento em que tivermos os nossos docentes com uma formação académica máxima para que possam, de facto, dar contributo como investigadores e docentes, é que poderemos falar de uma instituição académica normal. Na verdade, temos muito poucos Doutores e mestres, temos muitos licenciados a dar aulas e não podemos esperar nenhuma investigação com docentes que sejam simplesmente licenciados. Estamos a investir na formação de quadros e, daqui a um tempo, vamos sentir o impacto do investimento que está a ser feito agora.
Qual é, neste momento, a proporção do investimento destinado ao ensino superior?
É de cerca de 18% e com uma tendência a crescer. em 2010, teve uma pequena tendência decrescente, chegando a situar-se na ordem dos 15%. De lá para cá, a tendência é de subir. O orçamento ainda é pouco, dado os desafios que temos. Estamos, neste momento, em construção de infra-estruturas. O governo aprovou, em 2010, o Decreto 40/2010 que versa sobre o licenciamento e funcionamento das instituições do ensino superior, públicas e privadas. Nós, como governo, sobretudo para aquelas instituições que são públicas, estamos empenhados em construir infra-estruturas para que, até 2015, as nossas instituições possam conformar-se com este decreto. Temos construções a nível de todo o país e estamos a apetrechar outras infra-estruturas com laboratórios.
A realidade, em termos de infra-estruturas, quer para o sector público como para o privado, não parece satisfatória...
Nós estamos satisfeitos e estamos, neste momento, a estimular as instituições, sobretudo as privadas, através da legislação própria que as obriga a investir em termos de infra-estruturas.
Qual é a realidade no terreno?
Quando nós visitamos, sentimos que nem todas as instituições têm laboratórios, mas têm o seu tempo, sobretudo aquelas que existiam antes de 2010, momento em que foi promulgado o decreto, para se conformarem com a legislação. Estamos a ver que muitas estão a trabalhar e aquelas que não o fizerem serão sancionadas quando chegar o momento da inspecção trabalhar.
Enquanto isso...
Todas as instituições do ensino superior que estejam a funcionar e que pretendam abrir uma delegação fora da sua sede têm que tomar com espírito e letra este decreto. Nós não estamos a tolerar, é por esta razão que mandamos encerrar algumas delegações que abriram depois do decreto, não estamos de braços cruzados.
Como produzir verdadeiras instituições do ensino superior com esta realidade?
Nós temos um ensino superior em franco crescimento, um ensino superior que, de facto, está a lutar pela relevância e qualidade dos programas que oferece. E daí que, como governo, aprovámos a estratégia de formação de professores em 2009, cujo plano de implementação foi aprovado ano passado e que visa, fundamentalmente, acelerar a formação do corpo docente para que tenhamos um ensino superior digno desse nome. Estamos conscientes de que há dificuldades, porque temos licenciados a dar aulas a outros licenciandos. Ser licenciado per si não seria mau, se fosse um licenciado com alguma experiência de trabalho noutras áreas, seria admissível. O que está a acontecer é que temos licenciados “fresquinhos” a dar aulas de outras licenciaturas sem sequer ter um regente à frente, e isto é muito grave.
A classe política parece não estar aberta aos pensamentos de académicos. É uma percepção ou é uma realidade?
Só podem sentir-se amedrontado aqueles que não fazem investigação, mas aqueles que fazem investigação e fundamentam o seu pensamento com base numa investigação aturada, falam. Talvez seja por aí que alguns se sentem constrangidos, mas não é porque há uma política que os discrimina. Nós estamos a ter uma situação em que nem todos os docentes PHD, dos cerca de 400 que o país tem, se têm engajado numa investigação aturada para podermos ascender academicamente. Para se poder ascender ao grau de Professor Associado é preciso publicar numa revista com credibilidade no mercado onde possa ser visto por pares dentro e fora do país. Estamos a trabalhar no sentido de estimular a investigação.
A massa pensante sente-se inibida de fazer análises sociais. O reitor que concedeu entrevista foi atacado de todos os lados...
Eu insisto na necessidade de os académicos primarem por uma investigação aturada.
Há aqui a persistência da dificuldade de perceber se os docentes universitários são ou não funcionários públicos. Pode esclarecer-nos?
Nós estamos a trabalhar para que haja um regulamento específico sobre trabalhadores do ensino superior. No próximo ano, a proposta do regulamento será uma realidade para que haja uma distinção entre um funcionário público e um docente universitário, por causa das características específicas que o ensino superior tem. Actualmente, os funcionários do ensino superior são uma extensão da função pública e isso, naturalmente, tem trazido alguns problemas.
Como estabelecer reformas para facilitar a interacção entre as instituições do ensino superior o mercado?
Isso tem que ser feito, acima de tudo, pelas instituições do ensino superior dentro da autonomia que têm e que devem ser muito mais proactivas em procurar parcerias com o sector privado e também com as organizações não-governamentais. As instituições do ensino superior têm que estar muito atentas no que está a acontecer no mercado. Aliás, este ano, o governo procurou sensibilizar não só as universidades mas também a sociedade no geral para a necessidade de haver uma maior interacção entre as instituições do ensino superior e o mercado de trabalho e, sobretudo, no que diz respeito à qualidade e relevância. Queremos que os programas oferecidos no ensino superior sejam relevantes. Temos que formar em cursos que dizem respeito às necessidades reais do país no momento, pois caso contrário, vamos continuar com o subdesemprego por parte dos graduados. Neste momento, temos cerca de 70% em áreas de ciências sociais e humanas e somente 30% em áreas como ciências básicas. Nós precisamos de criar maior equilíbrio nesta questão. Olhando para estatística de desemprego na vizinha África do Sul, vemos que há uma grande massa de licenciados desempregados e cerca de 60% desses saem das instituições privadas. Por isso, temos que acautelar que aqui as nossas instituições privadas pautem pelo cumprimento escrupuloso da legislação, de modo a não distribuírem apenas diplomas mas também competências.
Acredita que, neste momento, as instituições privadas não estão nas melhores condições?
Nem todas, temos instituições privadas que estão a funcionar muito bem que até são bons exemplos daquilo que deve ser o ensino superior.
Para quando o regime de pessoal específico para o ensino superior conforme estabelecido na lei?
Como disse, vai ser no próximo ano. Nós vamos levar a proposta de regulamento para o Conselho de Ministros. Em termos daquilo que é a nossa agenda de trabalho, temos sido muito eficientes. Estamos constantemente a monitorar o que está a acontecer na sociedade e, quando identificamos algum problema, lutamos em resolvê-lo. Quando os formados no nosso país saem para fazer pós-graduações, têm sido melhores lá onde vão.
As propinas tendem a subir nas instituições públicas, não estaremos a elitizar o ensino?
De maneira nenhuma, o ensino tem custos e, na nossa legislação, só o ensino primário é que é gratuito. O ensino secundário, o técnico profissional e o ensino superior devem ser comparticipados. Estamos a trabalhar na estratégia do financiamento do ensino superior e o Conselho de Ministros está, neste momento, a deliberar sobre essa matéria. No ensino laboral, não temos casos de altas taxas, mas esses casos existem, sim, no pós-laboral. Para os estudantes carenciados que sejam muito bons, temos uma política de bolsas de estudos. Neste momento, temos cerca de 2 765 bolseiros, dos quais 1 700 são homens e os restantes mulheres, dentro e fora do país. Todo o moçambicano tem direito à bolsa, desde que reúna os requisitos recomendados.
Há percepção de que as bolsas de estudo para o estrangeiro beneficiam mais os filhos de gente da elite...
Acho que é uma percepção errada, porque as bolsas para o exterior são publicitadas nos órgãos de informação e, para a selecção, há sempre uma parceria entre o instituto de bolsas e quem oferece as bolsas. Sobre a questão da justiça social, a nova estratégia de financiamento visa também responder a essa situação, porque temos cidadãos que estão em zonas onde não há melhores escolas e que entendemos que, no processo de candidatura, possam ser prejudicados. Estamos a trabalhar no sentido de beneficiar todos. Com a nova estratégia de financiamento, teremos mais cidadãos a receber bolsas. Neste momento, o custo médio anual para a formação de um estudante é de cerca de 67 mil meticais e, se a proposta for aprovada, cerca de 13 mil meticais serão da comparticipação dos menos carenciados. Os mais carenciados não vão pagar nenhum tostão. Portanto, teremos uma maior base de bolseiros. Haverá bolseiros que terão 100%, outros terão 75% , 50% (...). Os do topo não vão beneficiar da bolsa.
Que critérios serão usados para identificar os do topo?
Desenvolvemos um índice de critérios de elegibilidade em que se observam várias variáveis, tais como: o rendimento da família, que inclui os bens que a família tem. Eu tenho filhos que estão nas universidades e eu tenho que pagar as contas. Portanto, olho para os ministros da mesma maneira que olho para todos os cidadãos e não é pelo facto de serem ministros que vão constituir excepção nesse processo.
A falta de qualidade do ensino superior é uma realidade. Que acções para se sair desse dilema?
Neste momento, estamos a guiar-nos pela legislação que nós aprovámos. Recorde-se que antes não tínhamos regulamento de inspecção de instituições do ensino superior. Este regulamento foi aprovado no ano passado. Com base neste regulamento, este ano, realizámos duas inspecções ordinárias e uma extraordinária. Antes disso, formámos 18 inspectores que incluem docentes universitários com grau de Doutores e vamos formar mais. O governo está a trabalhar.
A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) desceu de qualidade. O que está a ser feito para resolver o problema?
A nova direcção da Universidade Eduardo Mondlane está a tomar medidas contundentes de modo a retornar aquela universidade na sua posição de referência não só regional mas também internacional. Houve algumas medidas muito corajosas que foram tomadas pela nova direcção. Acreditamos que, com as remodelações que estão a decorrer na UEM, está poderá voltar a ocupar o lugar que lhe pertence.
Há cada vez mais instituições do ensino superior. Qual é o nível de investimento do governo na educação, neste momento?
Há um investimento sério que está a ser feito. Como disse, o orçamento para o ensino superior tem estado, proporcionalmente, a crescer. Este ano, sua Excelência o presidente Armando Guebuza foi inaugurar duas instalações da Unilúrio, em duas cidades, Pemba e Nampula, mas não é só lá, temos muito investimentos a nível das instituições públicas.
Até que ponto o CNAQ pode ser importante para o melhoramento do funcionamento das instituições do ensino superior?
O CNAQ visa implementar um regulamento que se chama Sistema Nacional de Avaliação de Garantia de Qualidade. Neste momento, o CNAQ está basicamente a criar fundações para conseguir avançar. Está a formar os operadores internos das instituições do ensino superior. O sistema de garantia de qualidade tem três subsistemas: o subsistema de avaliação interna, que é feita pelas próprias instituições; tem o subsistema de avaliação externa e tem o subsistema de acreditação. Era necessário que, primeiro, se capacitasse instituições do ensino superior para poderem fazer a auto-avaliação - já houve, pelo menos, três capacitações a nível do país.
Pode falar-nos do Sistema de Gestão Académica adoptado pelo MINED ao que as instituições pública não aderiram...
Chama-se open source, isto é, um sistema que se pode distribuir gratuitamente. É um instrumento muito poderoso e que pode ser expandido pelas próprias universidades e elas têm que se preparar para poderem gerir o processo. A grande vantagem do sistema é que poderemos poupar muito dinheiro porque, ao invés de importarmos software e pagarmos dinheiro para assistência desses softwares, os nossos cidadãos vão desenvolver habilidades de informática e programação. Esperamos que seja um instrumento que garanta uma maior sustentabilidade em termos de gestão do registo académico. Estamos a trabalhar com a UEM, através do centro de informática, mas há outras universidades que ainda não têm capacidade técnica interna, porque precisam de ter programador. Nós estamos a trabalhar no sentido de potenciar aquelas universidades públicas que ainda não têm condições criadas. A nível do Ministério da Educação, tivemos uma parceria com a Holanda e que, graças a essa parceria, foi possível formarmos cidadãos nossos para garantir a expansão do ensino. Foram formados não só dentro do país, pois alguns foram à Índia para aprender a programação, e são eles que estão a difundir a programação. Se alguma universidade não está, neste momento, a usar o sistema, é porque ainda está no processo de capacitação.
Já se nota alguma melhoria no funcionamento das instituições do ensino superior?
Há melhorias porque, neste momento, temos instituições que estão a criar órgãos internos de governação, conselhos universitários, conselhos de instituto. Isto surge em resposta à legislação que pressupõe a criação de órgãos internos de gestão.
Em relação aos resultados da implementação das inspecções, em que ponto estamos?
A última instituição que foi inspeccionada está, neste momento, no período de contraditório e só depois de termos toda a informação e recomendações detalhadas é que a direcção do MINED vai tomar medidas administrativas. Temos é que garantir que a legislação seja respeitada.
E, em relação ao estágio do sistema de transferência de acumulação de créditos académicos...
Estamos a avançar a passos bem largos. já iniciaram as formações dos gestores do processo académico das instituições do ensino superior pelo país inteiro, para que possam transformar os curricula tradicionais naqueles baseados em créditos académicos. Há troca de experiência entre várias instituições. A Unilúrio e a Universidade Católica de Moçambique já vieram apresentar a sua experiência nessa matéria.
Sobre a estratégia de formação de professores para o ensino superior, o que se está a perspectivar? Alguma acção?
Em função dos números que nós temos, estamos a planificar que até 2015 se forme, pelo menos, 2015 mestres, dos quais 60% serão formados dentro do país, 30% na região e 10% no resto do mundo. A nível do doutoramento, a maior parte dos Doutores, 60%, será formada noutras partes do mundo, 30% na região e 10% dentro do país. Esse plano pode custar cerca de 100 milhões de dólares. Trata-se de um valor que não vem só do governo. É importante referir que também todas as instituições do ensino superior, no acto da sua criação, têm a obrigação de apresentar um plano de formação de professores.
O Doutor Lourenço do Rosário alertou que muitos formados desempregados são uma ameaça à estabilidade social. Também tem a mesma ideia?
Um país não pode formar quadros para não ter lugar no mercado do emprego. Nós defendemos, por isso, que haja programas de pós-graduação curtos para capacitar os licenciados desempregados para que possam ter uma inserção no mercado de trabalho.
E como resolver o problema de professores turbos?
Todas as instituições do ensino superior devem ter carreira do corpo docente. O regulamento força as unidades orgânica a controlar o seu corpo docente. Se um docente não produzir, pode, mais tarde, ser convidado a sair da academia. Reconhecemos a existência de professores turbos, mas não é tão mau quanto se procura dizer, o que é mau é a falta de controlo do corpo docente por parte das instituições. O Conselho de Reitores está a trabalhar no sentido de acautelar esse problema.
Também se verifica a superlotação de turmas no ensino superior...
O número elevado de alunos por sala de aula é normal desde que a sala seja espaçosa e reúna condições. Para grupos maiores, as aulas devem ser dadas em anfiteatros.
Ainda assistimos a problemas de liderança na universidade Mussa Bin Bique. Qual é o papel do Ministério da Educação nesse caso?
A situação, de facto, é crónica. Tentámos aproximar as partes mas sem sucesso. Fizemos inspecção e estamos à espera dos resultados da mesma, que vão dar-nos luzes sobre como proceder sobre esta questão delicada. Mas vamos tomar medidas, porque não podemos admitir aquela situação anárquica.
 
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ ««««««««««««««FESTAS FELIZES E PRÓSPERO 2013»»»»»»»»»»»»»»»

Gadget

Este conteúdo ainda não se encontra disponível em ligações encriptadas.