quarta-feira, 28 de agosto de 2013

ONU pressiona EUA e Reino Unido para atrasarem intervenção militar na Síria

 
Inspectores no país precisamde mais diaspara concluir investigação ao alegado recurso a armas químicas por Damasco
Norte-americanos e britânicos foram ontem pressionados para retardar uma intervenção militar na Síria, após o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, ter dito que era preciso mais tempo para investigar o recurso a armas químicas por parte do governo de Bashar al-Assad. Segundo o "Guardian", apesar de fontes em Washington e Londres terem afirmado que um ataque "limitado" poderia ocorrer já esta semana, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, já mostrou que não iria ignorar o desejo da ONU.
"Eles [os inspectores] estão a trabalhar arduamente, em circunstâncias muito, muito perigosas", afirmou ontem Ban numa conferência de imprensa em Haia. "Deixem-nos concluir o seu trabalho em quatro dias e depois teremos de analisar as provas cientificamente e, em seguida, reportar a situação ao Conselho de Segurança para que este decida as acções que julgue necessárias", sublinhou.
Quanto à legalidade de uma eventual intervenção militar, uma questão que separa a Rússia dos países ocidentais, Ban Ki-moon respondeu que é "a carta das Nações Unidas que determina o quadro de acções que podem ser adoptadas para preservar a paz e a segurança internacionais". Os embaixadores dos cinco países membros do Conselho de Segurança - Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China - estiveram ontem reunidos na sede da ONU, em Nova Iorque, para examinar um projecto de resolução britânico sobre a Síria.
Após o encontro, David Cameron escreveu na sua conta de Twitter que os cinco membros tinham acordado de forma "unânime" que o recurso de Assad a armas químicas é "inaceitável" e que o mundo não pode ficar parado a assistir.
Caso a resolução seja de facto aprovada, haverá uma maior legitimidade internacional para uma eventual ofensiva militar contra o regime sírio. A Rússia, aliada de Assad, já afirmou que é preciso esperar pelo regresso dos inspectores da ONU antes de discutir a resolução. Anteriormente, Moscovo vetou (com Pequim) três projectos de resolução ocidentais que tinham como objectivo pressionar Damasco.
Ontem à tarde, a Interfax anunciou que a Rússia, por questões de segurança, tinha retirado os funcionários da sua base naval em Tartous, na costa mediterrânica da Síria. Citando uma fonte anónima da Marinha do país, a agência estatal avançou que o pessoal no local tinha embarcado num navio de reparação ali atracado que foi escoltado por barcos de guerra russos.
Por seu turno, na Síria a retórica contra o Ocidente mantém-se, com o primeiro-ministro, Wael al-Halqi, a dizer que estão a fabricar pretextos para justificar uma intervenção militar. "O primeiro-ministro assegura que os países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, inventam cenários falsos e preparam pretextos fictícios para intervir militarmente na Síria", lia-se num comunicado governamental citado ontem pela televisão estatal síria.
Wael al-Halqi advertiu ainda os países ocidentais de que a Síria será o "cemitério dos agressores" no caso de uma intervenção militar. "A Síria vai surpreender os agressores como surpreendeu durante a guerra [israelo-árabe] de Outubro [de 1973] e será um cemitério dos agressores. As suas ameaças colonialistas não nos aterrorizam. Temos por trás a vontade e a determinação do povo sírio, que não aceita ser humilhado", reforçou.
A 6 de Outubro de 1973, dia do feriado judaico Yom Kippur, uma coligação de estados árabes liderada pelo Egipto e pela Síria lançou um ataque inesperado contra Israel. Apesar do efeito surpresa, o conflito, que terminou 20 dias mais tarde, acabou por ser dominado pelas forças israelitas, que bombardearam de forma intensa a capital síria, Damasco.
eua e al-qaeda de mãos dadas O jornalista Robert Fisk chamou ontem a atenção para o facto de os Estados Unidos estarem a unir-se à Al-Qaeda caso se venha a concretizar uma intervenção militar na Síria. "Os homens que destruíram tantas vidas no 11 de Setembro estarão então a lutar ao lado da nação cujos inocentes tão cruelmente assassinaram há exactamente 12 anos. Uma grande conquista para Obama, Cameron, Hollande e o resto dos senhores da guerra em miniatura", escreveu no "Independent".
"Isto, certamente, não será apregoado pelo Pentágono ou pela Casa Branca - nem, suponho, pela Al-Qaeda -, embora ambos estejam a tentar destruir Bashar. O mesmo se passa com a frente Nursa, uma das afiliadas da Al-Qaeda. Mas isso levanta algumas hipóteses interessantes", prosseguiu Fisk.
"Talvez os americanos devam pedir ajuda à Al-Qaeda para a recolha de informações - afinal, este é o grupo com as 'botas no chão', algo que os americanos não têm interesse em fazer. E talvez a Al-Qaeda possa oferecer alguns serviços de informações para o país que habitualmente afirma que os apoiantes da Al-Qaeda, em vez dos sírios, são os homens mais procurados do mundo", conclui.


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terça-feira, 27 de agosto de 2013

DHLAKAMA E RENAMO: Duas incógnitas nacionais (conclusão)

A VIDA política nacional atravessa momentos complexos, para alguns turbulentos, para outros simplesmente dinâmicos, mas para todos certamente inusitadamente agitadoa.
INCÓGNITA DOIS: A RENAMO
Que Renamo é esta que sempre que aparece “exige, ameaça, ordena e mata”? Como diz, Mia Couto, “a Renamo não tem jornal. Como conheceremos as suas ideias? As suas perspectivas?” Dela pouco se sabe: que fez uma guerra de 16 anos e que o chefe é Afonso Dhlakama.
Mas porquê ainda tem armas e um tratamento “preferencial” não sabemos, já nem são incógnitas, segredos são uns autênticos enigmas, tabus políticos. O que dirão os pais aos filhos? Como explicarão eles o que é a Renamo? e porque ela ainda mata pessoas se, nós como país, estamos em paz? Muitas pessoas, crianças, jovens, adultos e outros tantos como cidadãos gostariam de entender porque ela vai sempre “às golas do Governo”, Estado, do país e aos cordões do “Erário Público”, para matar e ameaçar? O que é e quem é esta Renamo? (Os deputados? os militares?), Que ideias defende?
Historiadores como Christian Geffray, Joseph Hanlon, Alex Vines, Michael Cahen, embora com algumas nuances, alinham-na à Direita, provavelmente, a meu ver, por “exclusão de partes”, se considerarmos que ela se opunha a um Estado Popular de cariz marxista, do que de uma perspectiva ideológica per si. Em termos políticos a Renamo tende a um movimento político de cariz ultranacionalista do que de uma opção de Direita, Conservadora ou Moderada. Encaixa-se mais no perfil da Frente Nacionalista de Le Pen, do que do Movimento Popular de Aznar.
Estrategicamente, e ideologicamente, assenta perfeitamente, no jogo dos khamajors da Serra Leoa e da FRU de Foday Sankoh, amarrada a uma linguagem e estratégias Manu militar e as suas (non)strategic views em assuntos de interesse nacional. As suas alas, com o “estranho interregno” dos intelectuais Ismael Mussa, João Carlos Colaço, Benjamim Pequenino, Manuel de Araújo, entre outros “brain politicians”, tendem a perpetuar uma estratégia de nobreza política, assente em elementos tradicionais e de paternidade da democracia, na qual sobressaem os elementos de "captura" do Estado ou “Blackmail Strategy” que se assiste desde o AGP.
Nos dias que correm, para se entender, ou ajudar entender a “incógnita” que a Renamo é ou em que se transformou, é importante “fugir” dos clichés simplistas, das paixões e dos ódios que ela desponta. Ela TEM que ser alguma coisa, tem que representar alguma alternativa. Nos pleitos eleitorais, até 1999, significa que parte considerável do universo eleitoral nacional lhe deu, e ainda dá, legitimidade e apostou nela. Assim, a manutenção da “incógnita” e o adensar da névoa que a envolve, não defrauda apenas os historiadores e outros voyeurs sociais, alimenta as análises jornalísticas e na imprensa, e defrauda acima de tudo aos que, no jogo democrático, não se revêem na Frelimo. Porém, num modelo democrático multipartidário bipolar (se considerarmos a insipiência representativa da Oposição no país) podemos ter uma situação comparada à que em direito se chama “vacatio legis” e assim temos na Renamo uma “vacatio alternus”.
Na tentativa de a entender, vários são (entre analistas, jornalistas, historiadores e políticos) que a dividem em alas e a versão mais corrente e conhecida é a seguinte:
a)         A Renamo do Asfalto: que integra os deputados da AR, os membros das Assembleias Provinciais e Municipais, Delegados Políticos provinciais e distritais. A Renamo visível, composta por aqueles que no dia-a-dia “dão a cara”, falam em seu nome e , com todas as suas lacunas, fazem política activa;
b)         A Renamo do Mato/Militarizada: composta pelos “Homens Armados” e, naturalmente, por quem os comanda. Esta ala comporta um comando e hierarquias válidas e efectiva. Se considerarmos que em dois momentos a Renamo conseguiu reunir um número considerável de homens em Nampula (2012), e na zona Centro (2013) e em momentos diferentes neste último ano realizou acções militares ao longo da EN1 entre Save e Muxúngue;
c)         A Renamo Política: de alguma forma uma continuidade, ou resquício da ala intelectual, que se “eclipsou” para outros “voos políticos” com o cisma do MDM. O diálogo Governo – Renamo, apresenta a figura de Simone Macuiane e da sua equipe de trabalho (Namburete, Pondeca entre outros), como a de um político que se preocupa, à sua maneira, com o futuro da Renamo e se alicerça nas contínuas e (in)frutíferas rondas negociais para fazer vincar a existência de uma direcção e perspectiva na Renamo, contrariando a estratégia de permanente ausência da vida política nacional.
(IN)CÓGNITA TRÊS: A PSICOLOGIA DO TERROR
Há, nesta tenebrosa e complexa estratégia, uma forte exploração do medo colectivo, em que se alicerçam e se suportam as operações de cariz militar que a Renamo efectua, a pretexto de provocação das forças do Estado (?) a Renamo materializa operações militares para alimentar um terror que com a sua cruel mestria causa. Para a população de um país bastante dilacerado pela guerra, o espectro desta ainda paira e ao mínimo sinal de volta ao cenário dantesco o medo se instala e o pânico paira sobre as cabeças de milhares.
Outro elemento que suporta a tenebrosa estratégia é a exploração de um discurso bélico bastante intimidatório, que por um lado pretende (re)capturar as suas desencantadas e titubeantes bases e por outro acenar com um vigor discursivo, embora ameaçador, a sua parte de progenitor da democracia. Neste âmbito figuras como Manuel Bissopo e Jerónimo Malagueta encarnaram nos últimos momentos a possibilidade de uma provável enxertia, ou alternativa à direcção da Renamo, personificada em Dhlakama, no sentido de aquela ser “ultrapassada” ou “(des)comprometida” com a causa.
A Renamo e Dhlakama sabem-no e exploram este elemento à exaustão. Permanecem intransigentes num diálogo em que fazem o papel de surdos, mas não de mudos. Esperando, com a chantagem militar ao país, personificada nesta espécie de “Paz Armada” o povo e o conjunto da sociedade pressione o Governo, a Frelimo e Estado a “cederem” em nome da paz e da estabilidade.
A atmosfera de terror psicológico iniciada pelas acções militares da Renamo, não se resolverá com qualquer ou nenhuma das cedências políticas que forem feitas pelo Governo. Assim quem acredita numa provável deténte a partir do diálogo político verá goradas as suas expectativas pois a Perdiz insiste em recuperar o terreno político que foi perdendo mercê dos seus erros de estratégia e da hibernação política do seu líder pela forma de pressão militar. Daí a evitar sempre qualquer referência aos Homens Armados no processo de diálogo político a nível das delegações, como evitar, inclusive a menção destes como prévio para um encontro entre o seu líder e Guebuza, que resolveria o problema definitivamente. Porque o faz se é pela paz?
 
CONCLUSÃO
 
Os problemas da, com, e que envolvam a Renamo serão ultrapassados se aquela abandonar a sua venial natureza e enveredar de uma vez por todas pelo transparente processo do debate e confronto político democrático. Que com todas as vicissitudes e defeitos que se lhe apontam configura-se a única e irreversível forma de entendimento político que existe no país.
Os resultados eleitorais ao longo destes anos de convivência multipartidária ilustram a existência de uma base eleitoral substancial, e ilustram igualmente a decepção e ou a orfandade dessa mesma base relativamente à sua opção de projecto político. A Renamo, a procurar bodes expiatórios para a crise que vive, deve, antes de mais, realizar um franco e introspectivo diálogo que exorcise os males e os extirpe a bem da sua sobrevivência. A insistir nesta estratégia suicida, arrastará o país para o conflito.
Sobre as duas incógnitas elas resultam em grande medida do seguinte:
a.  da difícil transição de um movimento armado, do cariz da Renamo, sem motivação ideológica clara, para um partido político que se apresente alternativa ao partido e Estado, cuja finalidade da sua criação e existência foi combatê-lo. Muitas vezes o entendimento da Renamo sobre as estratégias políticas, discursivas e de desenvolvimento do país, são entendidas na perspectiva de uma Frelimo da RPM, a que visceralmente se opôs e, pior, embora aquela se esteja empenhada num, também complexo, de adaptação das novas realidades, procurando manter o seu perfil ideológico e de base, face a novas dinâmicas. Permanece assim, a Renamo, refém do seu primário entendimento da Frelimo o que justifica a reação deste partido;
b.  de dinâmicas socio-antropológicas e culturais imutáveis, pela essência da sua génese, que impendem a materialização da necessidade da Renamo, reagir como actor político credível, enquanto persistirem tais dinâmicas;
c.   pela anacrónica existência e modus de ser: inoperância grave dos órgãos e inobservância dos estatutos pelos motivos apresentados em b.;
d.  a terceira (in)cógnita, bastante conhecida, assenta no que para muitos é o principal trunfo da Renamo: os Homens Armados e a opção militar  será a sua queda, pois apostar numa estratégia militar ou marcial não se configura uma saída adequada a médio longo prazo.
Permanece assim a Renamo, refém de dos seus problemas e crises internas que a impedem de trabalhar, de entender o que à sua volta se passa e de dar um contributo positivo, cidadão, responsável e nacionalista. Encontra-se, ela, presa a um estranho e complicado processo socioantropológico que dela se apossou e, finalmente, a subjugou, pondo-a ao serviço de obscuros e insidiosos desígnios de expressão do poder e apenas por aquele, procura tal processo, aprisionar a Renamo, o país e toda a sociedade aos seus interesses pessoais.
Rafael Shikani

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

As cicatrizes deixadas pelas patrulhas nocturnas

As cicatrizes deixadas pelas patrulhas nocturnas
Imagem de cidadãos em patrulhas no Fomento
 
O terror do G20.
As patrulhas nocturnas efectuadas pelos cidadãos dos municípios de Maputo e Matola em resposta ao clima de “terror” provocado pela actuação do alegado “G20” trouxeram, nas suas vidas, marcas que apenas o tempo se encarregará de apagar.
O receio em relação ao G20 abrandou consideravelmente, mas isso não significa que as noites mal dormidas dos cidadãos passaram a ser mais tranquilas, por isso, os apitos passaram a fazer parte das suas ferramentas de segurança.
A segurança, que na maioria das residências de Maputo e Matola, nas zonas visadas pelo G20, era até muito recentemente confiada ao “melhor amigo do homem”, é reforçada com os apitos, que os moradores levam consigo mesmo quando vão ao leito.
A unidade e vigilância dos residentes dos bairros periféricos das duas urbes devolveram uma atmosfera de relativa segurança, porém, a forma como foi desencadeada pelos moradores de diversos bairros constituiu um perigo ainda maior, que, nalguns casos, se saldou em vítimas que nada tinham a ver com o submundo do crime.
Alguns cidadãos inocentes que foram vítimas das patrulhas, em contacto com a AIM, consideram que as patrulhas foram determinantes para o abrandamento das incursões do G20, todavia, não gostariam de voltar a viver uma experiência igual em nenhuma parte do vasto Moçambique.
Uma vítima residente do bairro Khongolote disse, em contacto com AIM, que, numa noite, quando regressava ao seu domicílio, foi interpelada a escassos metros da sua casa por dois indivíduos, que lhe pediram a sua identificação e de seguida exigiram que pagasse um valor para poder passar. “Eu estava bem próximo da minha casa. Expliquei-lhes que vivia naquele bairro, e na rua onde eles estavam tinha um amigo, por isso, eles deixaram-me passar”, contou a fonte, que falou no anonimato.
Contudo, o jovem que naquele dia esteve “na mão de Deus” explicou à AIM que esta foi uma experiência conturbada na vida dos moradores destas cidades, e que caberá ao tempo apagar da memória colectiva, para voltarem, um dia, a descansar tranquilos.
Hermenegildo Macungo, motorista de uma empresa, não escapou à raiva das patrulhas, numa das noites em que cumpria mais uma jornada de trabalho, e considera-se um homem cuja sorte faltou naquela noite.
Como de costume, Macungo levou os seus colegas às suas casas. Rumou ao bairro T3, na matola, onde ia deixar um dos colegas, mas, pelo caminho, deparou-se com um vasto grupo de pessoas, que ordenou a imobilização imediata do veículo, ao que ele consentiu.
Leia mais na edição impressa do «Jornal O País»

Os candidatos da Frelimo às autárquicas

Os candidatos da Frelimo às autárquicas

Partido elegeu os seus candidatos este fim-de-semana.
A Frelimo elegeu este fim-de-semana maior parte dos candidatos às eleições autárquicas nos 53 municípios. A província de Maputo ficou de fora, devido à presidência aberta e inclusiva do Chefe de Estado. Tete vai a votos hoje e quanto a Cabo Delgado os dados ainda não estavam disponíveis até ao fecho desta edição.
Na capital do país, avançou David Simango. Simango ficou com o caminho aberto depois do seu único adversário, Joel Numaio, ter desistido da corrida à boca das urnas. O actual edil da capital do país só precisava de 51% dos votos para se eleger, mas teve uma percentagem de peso. Dos 108 eleitores, 104 votaram em David Simango, o correspondente a 96.3% dos votos. Assim, o mayor de Maputo sai fortalecido da eleição interna e terá uma forte base de apoio para desafiar o candidato do MDM, Venâncio Mondlane. Em Nampula, Castro Namuaca e Chale Ossufo ficam, de facto, fora do processo. Absalão Siueia é o candidato da Frelimo ao município da cidade de Nampula, enquanto o empresário Rui Chong foi a aposta para Nacala. Mas os olhos da Frelimo estão virados para Beira e Quelimane, municípios controlados pela oposição. O comité da cidade da Beira elegeu o deputado da Assembleia da República Jaime Neto e para Quelimane foi indicado Abel Henriques. Os dois têm pela frente uma dura batalha para terem mais votos que Daviz Simango e Manuel de Araújo.

Os candidatos da Frelimo às autárquicas

Os candidatos da Frelimo às autárquicas

Partido elegeu os seus candidatos este fim-de-semana.
A Frelimo elegeu este fim-de-semana maior parte dos candidatos às eleições autárquicas nos 53 municípios. A província de Maputo ficou de fora, devido à presidência aberta e inclusiva do Chefe de Estado. Tete vai a votos hoje e quanto a Cabo Delgado os dados ainda não estavam disponíveis até ao fecho desta edição.
Na capital do país, avançou David Simango. Simango ficou com o caminho aberto depois do seu único adversário, Joel Numaio, ter desistido da corrida à boca das urnas. O actual edil da capital do país só precisava de 51% dos votos para se eleger, mas teve uma percentagem de peso. Dos 108 eleitores, 104 votaram em David Simango, o correspondente a 96.3% dos votos. Assim, o mayor de Maputo sai fortalecido da eleição interna e terá uma forte base de apoio para desafiar o candidato do MDM, Venâncio Mondlane. Em Nampula, Castro Namuaca e Chale Ossufo ficam, de facto, fora do processo. Absalão Siueia é o candidato da Frelimo ao município da cidade de Nampula, enquanto o empresário Rui Chong foi a aposta para Nacala. Mas os olhos da Frelimo estão virados para Beira e Quelimane, municípios controlados pela oposição. O comité da cidade da Beira elegeu o deputado da Assembleia da República Jaime Neto e para Quelimane foi indicado Abel Henriques. Os dois têm pela frente uma dura batalha para terem mais votos que Daviz Simango e Manuel de Araújo.

DHLAKAMA e RENAMO: Duas incógnitas nacionais (1)

DHLAKAMA e RENAMO: Duas incógnitas nacionais (1)
A VIDA política nacional atravessa momentos complexos, para alguns turbulentos, para outros simplesmente dinâmicos, mas para todos certamente inusitadamente agitados.
Tais momentos passam necessariamente pela vida e dinâmica de dois elementos cruciais: o primeiro, o cidadão Afonso Macacho Marceta Dhlakama, e o segundo a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO).
Os planos, missão e visão destes dois elementos constituem uma incógnita nacional, mas são inegável parte da vida política nacional. O artigo propõe-se a esclarecer alguns elementos que ajudem a entender as personagens referidas. A ordenação dos elementos é propositada e segue a ordem de importância de cada na sua paralela, mas umbilical relação
INCÓGNITA UM: DHLAKAMA
Derrotado quatro vezes seguidas (1994, 1999, 2004 e 2009), mais as duas eleições autárquicas (2000, 2009) soma seis derrotas a favor da Frelimo. A Renamo encarnada na figura do seu líder Afonso Marceta Macacho Dhlakama, vem perdendo o seu brio e peso político à medida que sucessivas crises abalam o partido/movimento (?). A mais recente e humilhante derrota da Renamo, aliada ao surgimento do MDM, também fruto da (des)estratégia da Renamo/Dhlakama diminuiu de forma drástica a área de acção da Renamo no panorama da oposição moçambicana.
Por outro lado, o estreante e terceiro mais votado, Daviz Simango e o seu MDM não poupam esforços para se assumirem como oposição alternativa à estratégia renamista e alternativa à Frelimo e principal concorrente do candidato da Frelimo nas presidenciais de 2014. Na política nacional, enquanto a Renamo vai gerindo as suas crises internas, muito provavelmente por força destas crises infindáveis da Renamo assiste-se ao regresso da bipolarização política em Moçambique.
Desde a morte de André Matadi Matsangaíssa a 17 de Outubro de 1979, em Gorongosa na província de Sofala, que a figura de Dhlakama é associada a todos os subsequentes momentos da Renamo. Talvez por isso seja interessante avaliar o percurso e perfil do homem que lidera a Renamo desde então aos nossos dias.
Sobre Dhlakama, guerrilheiro (e a própria Renamo) há uma fonte de certa forma incontornável, que com alguma propriedade traça o perfil ou ajuda a compreender o perfil de ambos.
“Quanto a Dhlakama, bem, era cedo para ter uma ideia definida sobre o homem, o líder da R.N.M. Um rosto jovem. Demasiado jovem, decerto. Cabelo curto bem aparado, estatura mediana, talvez com o peso só ligeiramente acima do ideal para a altura que tem. Relembro a história que ouvira sobre a escolha, a lotaria que recaíra sobre o Afonso Dhlakama. Com a morte em combate de André Matadi Matsangaíssa, havia que fazer a escolha sobre os dois comandantes imediatamente abaixo. Um era um tal Charlie, o outro era o Dhlakama. As preferências de rodesianos, sul-africanos e do Cristina vão para o actual dirigente, e Charlie é neutralizado, abatido, para que não cause eventuais empecilhos ao vencedor.
Ainda pouco polido e cru politicamente é a impressão com que fico de Dhlakama. Uma face, diria mesmo, de rapaz, escondida por aqueles óculos não-graduados. Na conversa, revelara-me o fraco que sentia por filmes, de guerra e "karate", sobretudo. Gosta imenso de Coca-Cola, não liga ao álcool nem fuma, e não disfarça uma enorme paixão pelas motas. Está contente com os sul-africanos que lhe pagam 720 randes por mês e que lhe fizeram um seguro de vida. Até aqui, penso, o "Apartheid" se fazia sentir. Como responsável da rádio eu acabava por ganhar mais que o dirigente do movimento!”
Esta é a apreciação que Paulo Oliveira faz de Dhlakama, outra igualmente importante é a que se segue
“Se forças estrangeiras, se gente no governo ou em certos círculos do poder em Pretória, têm objectivos através da RENAMO, que metas terá o próprio grupo armado? Embora não haja sido convenientemente desenvolvido, um esboço de programa político traçado pelos líderes do grupo no início da década de '80, e que serviria como pretexto para legitimar a guerra ordenada por Smith e por Pretória, estará hoje completamente obsoleto ou ultrapassado pela nova realidade moçambicana. Uma realidade de progressivo não-alinhamento, de abertura económica, política e social.
A questão que ainda faz correr hoje os homens, aliás, os líderes do grupo RENAMO, é cada vez mais, ou apenas, um caso de poder, poder de grupo, poder pessoal. Daí, que também não seja de estranhar o facto, de que os seus últimos, ou únicos aliados internos, sejam alguns dos antigos régulos - chefes tribais - que haviam perdido força com a chegada da FRELIMO, ou os que ainda não enterraram as bandeiras do revanchismo e da vingança.”
Efectivamente, Dhlakama como se conhece, de um líder astuto de guerrilha, com o recurso ou não das agências de inteligências da Rodésia (CIO), do Apartheid (BOSS, Bureau of Civil Cooperation) e da Direita alemã (RFA) que o suportaram estrategicamente na longa guerra que movimentaram contra a República Popular de Moçambique e as suas opções de desenvolvimento económicas e políticas.
A Renamo mesmo com a sua visceral e venial componente “puppet na proxy war” entre o Bem (Capitalismo, Democracia e Cristianismo) e o Mal (Comunismo/Socialismo, Monopartidarismo e Ateísmo/Agnosticismo), o Ocidente e o Este, a dada altura andou por pernas próprias e almejou um dia conquistar o poder, passando a “moçambicanizar” desde então o conflito externo. As questões de natureza estratégica levaram-no a aceitar o caminho da paz, uma das decisões mais importantes deste movimento ideologicamente pária.
Mesmo em tempo de paz nem a Renamo ou o seu líder, deixaram de pensar no poder, pelo poder. O que se denota pela ausência crassa de perspectivas alternativas ao arquinimigo: a Frelimo. Mesmo com as dificuldades que esta tem de gerir o país a Renamo não consegue uma réstea de oportunidade para aumentar o seu prestígio via jogo democrático, outrossim, persiste na sua essência maléfica e sanguinária: intimidação psicológica e chantagem militar. Os termos “Voar”, “matar”, “queimar”, “brincadeiras” e outros similares são parte recorrente, costumeira e vezeira nos discursos de Dhlakama.
Entre os desaires eleitorais, corolários de uma estratégia “Frankesteiniana”, a Renamo a cada pleito eleitoral soma os desaires políticos consequências do seu desenquadramento na sociedade moçambicana. Os ocasionais refreshments que foi tendo nos seus quadros (Colaço, Boavida, Mussá, Araújo, Namburete) não trouxeram o esperado “turn over”, quer pelo país, quer pelos que nela pensaram como alternativa e contrabalanço ao poder, pelo contrário, o poder cada vez mais feudal, nepótico e monárquico de Dhlakama foi-se entronizando em todo partido/movimento (?) colocando em gangrena o partido herdeiro da áurea do movimento guerrilheiro que pôs o país em chamas durante 16 longos anos, corporizando a profecia do seu longínquo mentor Jorge Jardim e Alma Pater: “Moçambique, Terra Queimada”.
Mas contrariamente a uma vida de guerrilheiro nas matas, a vida política obriga o cumprimento de normas, regras e acima de tudo das leis. Porém o cidadão Dlhakama , sempre se sentiu um above law citizen, na extensão do seu espírito destruidor, foi atropelando recorrente e sistematicamente, depois culturalmente, as leis nacionais (livre-circulação de pessoas e bens), o acordo que “honradamente” firmou (homens armados); as normas e regras do próprio partido (até aqui realizou apenas um único congresso, umas pálidas reuniões da comissão Política e seminários de formação nos quais Dhlakama foi moderador e formador!) entre outros aspectos que diminuem o seu peso político e colocam a si como homem político e ao seu partido/movimento em patamares pouco dignos da política e vida do país (a recusa do estatuto de líder da oposição , a recusa em tomar lugar nos corpos legalmente constituídos para pessoas do seu calibre político como o Conselho de Estado), a nível internacional não capitalizou o facto de ter sido nomeado presidente da União Democrática Africana – UDA, subsidiária da União Democrática Internacional congregação de partidos de Direita mundial.
N’DOTANIZAÇÃO
 
Há uma interferência de aspectos tradicionais e culturais na gestão de Dhlakama, natural de Mangundi, distrito de Chibabava e filho do Régulo local, da Renamo como movimento e principalmente como partido. Raramente dá ouvidos aos assessores e desconfia de tudo que lhe é apresentado como ideia para gerir o partido, preferindo a gestão autocrática, tradicional do mesmo, num processo de N’dotanização em que usurpa os poderes de todos os órgãos conhecidos, sobrepondo-se aos estatutos da organização.
Dhlakama é pois assim, um misto líder militar, e tradicional que não admite nenhuma contestação à sua liderança nem contraditório às suas ideias. Pode-se entender daqui que os sucessivos e infrutíferos episódios de se comportar como um animal político, como militarmente o foi. Dhlakama vai gerindo, quer a vida do seu partido/movimento, como a sua personalidade de maneira iníqua e perdendo os pontos que havia ganho ao longo da sua vida pública. Que culminaram no desabamento político da Renamo e na sua substituição pela mídia e pelos “miúdos” do MDM.
Os últimos acontecimentos revelam um Dhlakama apagado, um zombie, um fantasma de si próprio lançado impropérios vociferando ameaças numa voz envelhecida, sem a agilidade, enterrado vivo pelos seus seguidores (guerrilheiros o acólitos?) refém dos que sempre o acompanharam e recusam-se a afundar com ele e acompanhá-lo ao abismo que se criou aos pés da Renamo, vemos emergir um Manuel Bissopo, cuja arrogância procura criar uma espécie de Dhlakama rejuvenescido  herdeiro natural do “Chefe” que guie as gloriosas forças da Renamo para a vitória em Maputo.
Dhlakama, desde que chegou a Gorongosa, ido de Nampula, aparentemente nunca mais voltou a ser o mesmo, permanece sim refém dos seus, que o vêem definhar ante uma Frelimo que não soçobra às suas investidas, a um MDM que arrogantemente se posiciona nos lugares que ela vai deixando vagos e a lembra a cada dia da sua incapacidade de ler e de gerir os momentos políticos.
Assim a entourage de Dhlakama foi paulatinamente apagada do cenário político e vão surgindo novos falcões que procuram resgatar a gloriosa Renamo do momento pós-Roma, procurando influenciar a política nacional a seu favor, ensaiam passos perigosos em direcção à materialização de tais objectivos: convocam os “seus homens” do Rovuma ao Maputo, Rearmam-se, “arreganham” os dentes, exibem os músculos e atacam a polícia. Procuram desesperadamente recuperar o que lhes escapou da mão.
Dhlakama é neste episódio o Último Homem dos jovens (André Matadi Matsangaíça era um deles) que um comando branco rodesiano com as caras pintadas de preto os “salvou” das garras dos comunistas no campo de reeducação de N’Sakudzi e os pôs ao serviço dos interesses externos, foi assim que a democracia moçambicana foi parida. Jacob Salomão Sibinde, o Yá’qub Sybindi ele conhece a estória toda de Dhlakama, seu tio, the Last Man Standing, o “Último Homem” de uma estranha geração de jovens, que seguiu uma estranha via para dizer que não concordava com o que em comum se fazia pelo país e pelo futuro dos moçambicanos.
Rafael Shikhani

Há bronca nas eleições internas da Frelimo em Tete


Há bronca nas eleições internas da Frelimo em Tete. Consta que o Primeiro Secretário Provincial obrigou o candidato Arlindo Jose, actual presidente da Assembleia Provincial de Tete, a renunciar a sua candidatura para apoiar Celestino Chicanhanga.
Hoje convidou os apoiantes do candidato Edson Lino (jovem empresário local) para os dizer para aconselhar o seu candidato a renunciar, alegadamente por não possuir experiência de governação. A renúncia de Edson Lino deixava Celestino Chicanhanga sozinho e virtual candidato do partido para as próximas eleições.
Jogos de ventre na Frelimo. Os apoiantes das candidaturas forçadas a renunciar ameaçam com traição nas urnas.
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