sábado, 31 de outubro de 2015

Encobrir a falsidade em que se vive é um perigo

Canal de Opinião por Noé Nhantumbo
A xenofobia na África do Sul destapou-se quando menos se esperava.
Nada tem a ver com invenções ou teorias de conspiração sobre factos não consubstanciados ou alguma que se pareça.
Durante muitos foi habituado e inculcado aos moçambicanos que uma simples directiva partidária resolvia problemas e trazia soluções.
No auge do regime do comissariado político, as orientações que a sociedade devia esperar dos missão de acompanhamento e supervisão criada pelo Governo para os próximos 30 anos.
Para além da agricultura, foram definidos os sectores da exploração mineira e da energia como sendo os que apresentam maiores vantagens.
Segundo Roberto Albino, directores pensantes e senhores do poder chegaram a apagar do mapa visível questões de natureza étnica ou racial. A verdade era obstruída por comandos partidários condenando isto ou aquilo. Vivia-se uma realidade falseada que impunha algo que as pessoas não sentiam.
De um entusiasmo efémero galvanizado pela euforia independentista não demorou que todos se dessem conta de que haviam caído no logro elaborado e injectado em doses sucessivas por um laboratório ideológico chamado Departamento de Informação e Propaganda da Frelimo.
As convulsões sociais são recorrentes onde as mesmas não são tratadas de maneira firme e aberta.
De pouco vale esconder que temos problemas de percepção e de valores.
Um dos maiores problemas é acreditar que só por dizermos que algo não existe basta que isso se transforme em realidade.
Viver encobrindo é um erro de avaliação ou de posicionamento que acarreta consequências.
Não há fantasmas do passado mas simplesmente problemas concretos do passado que nos negámos a resolver atempadamente.
Tudo vem a propósito das posturas que segmentos importantes da sociedade assumem no seu quotidiano.
Uns dizem que se deve fazer tudo para desarmar uma das partes como se isso fosse a solução para a criação de um exército nacional apartidário.
Outros dizem que o AGP assinado em Roma foi integralmente cumprindo e o seu articulado inscrito na CRM. Outros defendem que foram enganados sucessivamente.
Protelar, encobrir, fintar e outras manobras do tipo “tapar o Sol com a peneira” tem efeitos de muito curto prazo.
Volta e meia as feridas reabrem-se, e as pessoas dão-se conta de que a verdade é outra.
Não pode haver “unidade nacional” através da imposição e da manifestação constante de direitos especiais para uns cidadãos e somente deveres para a maioria.
Os desequilíbrios sociopolíticos existentes, que se manifestam pelo aumento do fosso entre os que têm e podem e os que quase nada têm, contrariam o discurso oficial de luta contra a pobreza. O que tem aumentado ao longo destes anos é a riqueza dos ricos. E é uma categoria especial de ricos, pois ascendem a esta categoria simplesmente por que estão em cargos de chefia ministeriais e outros. A coloração do cartão de membro de partido joga um papel essencial neste processo.
Montadas assim as peças para a construção de um edifício desigual e injusto, é de esperar que os resultados sejam correspondentes.
Quando se fala em “barril de pólvora em que está sentado o país”, pode parecer retórica barata, mas não deixa de ser a pura verdade.
O desenlace de qualquer solução adoptada vai ser aquilo que os actores políticos conseguirem construir.
Há nuvens negras no horizonte devido à relutância de alguns actores admitirem que Moçambique precisa de compartilhado.
Vender passaportes não pode ser caminho para o enriquecimento.
Comprar arroz doado do Japão e depois vendê-lo a preços especulativos ao abrigo de esquemas de “procurement” abertamente viciados não pode ser a via para “empoderamento” económico negro, amarelo ou de qualquer outra cor.
O país não embora oficialmente se diga que estamos num bom caminho.
Quando o líder do maior partido da oposição é atacado e o PR não fala do assunto, aumentam as razões para se estar preocupado e para duvidar da seriedade do Governo em relação ao seu discurso oficial. E se isto acontece num processo que é de rejeição das suas reivindicações quanto à validade dos resultados eleitorais homologados mais assenta a ideia de que querem resolver um político por vias não convencionais.
Quando o maior problema ou maior pretensão do país, a PAZ, é preterido e em seu lugar se opta por passeatas alegadamente diplomáticas pode ser uma questão de prioridade agenda, mas pode-se dar o caso de que se pretende fortificar a possibilidade de resolver diferendos nacionais com auxílio internacional.
As linhas com que se cose a coesão social no país estão declaradamente gastas, envelhecidas e prestes a romperem-se ao primeiro esticão.
E a forma como isso será é uma incógnita completa.
Mas ninguém tenha ilusões, pois haverá todo o tipo de oportunismo, barbárie e violência.
Compatriotas, dar oportunidade à paz requer mais do que discursos dos nossos políticos. Há que assumirmos a paz como valor máximo, mas essa paz não é e jamais será algo que alguém imponha aos outros. Nem tudo o que eu quero corresponde ao que meu vizinho quer. Mas isso não classifica um como moçambicano de pleno direito e outro de apátrida.
E os moçambicanos precisam de estar juntos no sofrimento e na bonança. Cada um fazendo aquilo que pode segundo a sua experiência, saber e recursos.
Pertencer a esta família moçambicana significa dar o corpo ao manifesto quando assim se revela necessário.
Não é oferecendo banquetes aos expoentes máximos da nomenclatura dominante que se ganha o estatuto de moçambicano. (Noé Nhantumbo)
CANALMOZ – 30.10.2015

Tiroteio entre forças de segurança e Renamo no centro de Moçambique põe população em fuga

31 de Outubro de 2015, 19:30

Inhaminga, Moçambique, 31 out (Lusa) - Um novo tiroteio entre as forças moçambicanas e militares da Renamo em Inhaminga, no centro de Moçambique, forçou a fuga da população para as matas, deixando a vila deserta, disse hoje à Lusa um padre residente no local.
Adelino Fernandes, padre da congregação do Sagrado Coração de Inhaminga, província de Sofala, disse que cerca das 05:50 (03:50 de Lisboa) houve um forte tiroteio na vila de Cheringoma, sede de Inhaminga, que se prolongou até perto das 07:00.
"Quando cessou o tiroteio a população começou a fugir para as matas. Dezenas [de pessoas] atravessaram a linha férrea e foram caminhando para o sentido do distrito de Marromeu [noroeste de Sofala]", disse Adelino Fernandes, descrevendo uma situação de insegurança na região.
O padre contou ainda que na sexta-feira, um grupo da tropa estatal avisou a população próximo da zona onde hoje ocorreu o tiroteio para se retirar.
"Com esta situação, cancelámos uma peregrinação a Murassa, porque não havia condições de segurança. A sete quilómetros do local onde estamos, há um comando da polícia e o local estava agitado esta manhã", disse Adelino Fernandes.
A Lusa tentou em vão ouvir o administrador local.
Daniel Macuácua, porta-voz da polícia da província de Sofala, disse à Lusa não ter conhecimento do tiroteio na região, remetendo esclarecimentos para um momento oportuno.
O ministro do Interior moçambicano confirmou na sexta-feira novas operações das forças de defesa e segurança para recolher armas em posse da guarda da Renamo, em Gorongosa (Sofala) e Morrumbala (Zambézia), centro de Moçambique.
A polícia, disse Basílio Monteiro em declarações aos jornalistas na Gorongosa, "tem todo interesse que prossiga [a busca de armamento da Renamo] até desativar o último 'ninho' [base dos militares da oposição] e deixe o país totalmente tranquilo".
A polícia iniciou a operação de recolha de armas da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) no dia 09 de outubro, quando forças especiais cercaram e invadiram na Beira a casa do líder do principal partido da oposição, Afonso Dhlakama, e prenderam por algumas horas sete elementos da sua guarda.
O cerco só terminou quando Afonso Dhlakama entregou 16 armas da sua guarda pessoal ao grupo de mediadores do diálogo entre a Renamo e o Governo, que por sua vez o deixou à responsabilidade da polícia de Sofala.
A operação policial ocorreu um dia depois de o líder da oposição ter reaparecido na serra da Gorongosa, ao fim de duas semanas em parte incerta, na sequência de dois incidentes envolvendo a sua comitiva e as forças de defesa e segurança.
Antes dos acontecimentos na Beira, registaram-se três incidentes em três semanas com a Renamo, dois dos quais envolvendo a comitiva do presidente do partido.
A 12 de setembro, a caravana de Dhlakama foi emboscada perto do Chimoio, província de Manica, num episódio testemunhado por jornalistas e que permanece por esclarecer.
A 25 do mesmo mês, em Gondola, também na província de Manica, a guarda da Renamo e forças de defesa e segurança protagonizaram uma troca de tiros, que levou à partida do líder da oposição para lugar desconhecido.
Uma semana mais tarde, forças de defesa e segurança e da Renamo confrontaram-se novamente em Chicaca (Gondola), com as duas partes a responsabilizarem-se mutuamente pelo começo do tiroteio.
Dhlakama não é visto em público desde o cerco à sua casa na Beira, a 09 de outubro.
Moçambique vive novos momentos de incerteza política, provocada pela recusa da Renamo em reconhecer os resultados das eleições gerais de 15 de outubro do ano passado e pela sua proposta de governar nas seis províncias onde reclama vitória, sob ameaça de tomar o poder pela força.
AYAC (HB)// CC
Lusa/Fim

Governo de Costa: BE e PCP de fora

 
   
31/10/2015 13:02
    

Lusa
Governo de Costa: BE e PCP de fora
Nos bastidores do PS ainda há conversas sobre a possibilidade de bloquistas e comunistas integrarem um governo liderado pelos socialistas. Uma hipótese cada vez mais remota. António Costa admitiu, a semana passada, numa reunião com os deputados socialistas, que o acordo seria só de incidência parlamentar e, ao que o SOL confirmou, BE e PCP querem mesmo ficar de fora. 
As reuniões negociais entre PS, BE e PCP têm-se concentrado em questões técnicas, enquanto os termos políticos do acordo nunca estiveram em cima da mesa. Uma discussão feita ao mais alto nível com António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. As maiores resistências partiram do PCP e o BE não quis ficar como único co-responsável no Governo com o PS, além da pressão interna da corrente UDP.
A discussão do programa do governo de Passos Coelho está marcada na Assembleia da República para os dias 9 e 10. As moções de rejeição dos partidos da esquerda terão que ser apresentadas nesta altura e aí o PS já terá que levar no bolso um acordo com BE e PCP, para poder derrubar o Governo sem entrar em “maiorias negativas”.
“Se não houver acordo até lá é um descrédito para Costa”, afirma ao SOL um deputado do PS. Os socialistas contam que o acordo seja apresentado em reunião da Comissão Política antes de ser anunciado publicamente. Segundo o presidente do PS, Carlos César, a apresentação do acordo estará “associada” à discussão do programa. O tempo urge, enquanto as negociações prosseguem com algumas pontas ainda soltas. Para já, o sigilo é enorme e as medidas acordadas entre os três partidos estão blindadas pela equipa negocial.
Assim que a moção ou moções de rejeição - PS, BE e PCP ainda não acordaram se haverá texto único - for aprovada no Parlamento, o Presidente da República terá que chamar novamente a Belém os partidos, um processo que demorou uma semana com Passos. Só depois disso é que poderá indigitar um novo primeiro-ministro. No PS ainda há quem tenha dúvidas sobre se Cavaco Silva dará posse a Costa.
Contando com essa hipótese, haverá depois os contactos do líder do PS para a formação de Governo. António Costa vai tentar encontrar personalidades independentes conotados com a ala esquerda, mais próximos do BE e PCP, para integrarem o governo. Trâmites que deverão atirar a tomada de posse para as últimas semanas de Novembro.
Oposição interna desmobilizada
Depois de um período inicial em que os críticos da solução de esquerda se manifestaram, a oposição interna desmobilizou e já não faz conta aos deputados que são necessários para frustrar, no Parlamento, as intenções de Costa.
O discurso duro de Cavaco, que apelou às divisões no partido para manter em funções o Governo de Passos, ajudou à união socialista. Nesta altura, os seguristas que antes se preparavam para se coordenar e votar ao lado do PS nas moções de rejeição ao programa do governo, tentando que não fossem aprovadas, já consideram que está tudo nas mãos do Presidente da República. “Nada depende de nós”, afirma um segurista.
Só mesmo a ausência de um acordo escrito de governo impedirá que António Costa venha a ser empossado por Cavaco Silva. O SOL sabe que o PR “não afastou no discurso nenhuma hipótese de governo”, antes terá querido “deixar para memória futura” a sua oposição a um governo de esquerda. Os termos do documento poderão fazer a diferença entre o ‘sim’ de Cavaco ou outro cenário, que para já parece pouco provável.
 *Com Manuel Agostinho Magalhães

Principais acidentes aéreos ocorridos na última década


Hoje às 10:54
O acidente com o Airbus 321 da companhia russa Kogalymavia airlines, que este sábado se despenhou com 224 pessoas a bordo na Península de Sinai, no Egito, junta-se à larga lista de desastres aéreos ocorridos no mundo na última década.
 
YOAN VALAT/EPA
Acidente com avião da Germanwings
O último acidente aéreo desta gravidade ocorreu em 24 de março deste ano, quando um Airbus A320 da empresa alemã Germanwings se despenhou em França e morreram 150 pessoas.
Principais acidentes aéreos ocorridos na última década:
- 03 janeiro 2004 -- 148 pessoas, dos quais 135 turistas franceses, morreram na queda de um Boeing 737, da companhia egípcia Air Flash, no Mar Vermelho, depois de descolar de Sharm el Sheikh (Egito).
- 16 agosto 2005 -- Morrem os 161 ocupantes de um MD-82 da companhia West Caribbean Airways que se despenhou sobre Machiques (Venezuela), fronteiriça com a Colômbia. Os 152 passageiros eram franceses.
- 05 setembro 2005 -- 150 mortos na queda de um Boeing 737-200 da linha aérea indonésia 'low cost' Mandala, após a descolagem de Medan (Sumatra).
- 09 julho 2006 -- 150 mortos na colisão de um Airbus A-310 com 200 passageiros contra um edifício durante a aterragem no aeroporto de Irkutsk (Sibéria, Rússia).
- 22 agosto 2006 - Um avião de passageiros Tu-154 com 169 pessoas, incluindo 45 crianças, despenha-se na Ucrânia quando tentava realizar uma aterragem de emergência.
- 30 setembro 2006 - Morrem 154 pessoas ao despenhar-se na selva amazónica um Boeing 737-800 das linhas aéreas GOL, no Mato Grosso (Brasil), depois de chocar contra uma avioneta cujos ocupantes saíram ilesos.
- 17 julho 2007 -- Um Airbus A320 das linhas aéreas brasileiras TAM sai da pista ao aterrar no aeroporto de Congonhas (São Paulo, Brasil) e choca contra um edifício. A maior tragédia aérea do Brasil causou 200 mortos.
- 20 agosto 2008 - 154 mortos e 18 feridos na queda de um avião MD-82 da companhia Spanair, que transportava 172 pessoas, no aeroporto de Barajas (Madrid).
- 01 junho 2009 -- Um Airbus A-330 da Air France cai nas águas do Atlântico quando voava do Rio de Janeiro (Brasil) para Paris, com 228 pessoas, a maioria brasileiros e franceses.
- 30 junho 2009 - Um Airbus 310-300 da Air Yemenia despenha-se no Oceano Indico com 153 pessoas a bordo (66 dos quais franceses), quando voava de Saná para as Ilhas Comores. Uma menina foi resgatada com vida.
- 15 julho 2009 -- Morrem os 168 ocupantes de um Tupolev da iraniana Caspian Airlines que se despenhou, após descolar do aeroporto de Teerão rumo a Ereva (Irão).
- 22 maio 2010 - 158 mortos e 8 sobreviventes na queda de um Boeing-737 da Air India Express, procedente de Dubai, no aeroporto de Mangalore (India).
- 28 julho 2010 -- Morrem os 153 ocupantes do Airbus A321 da companhia Air Blue, que se despenhou numas colinas perto de Islamabad (Paquistão).
- 20 abril 2012 -- Morrem 138 pessoas, 127 ocupantes de um Boeing 737 da companhia aérea paquistanesa Bhoja e 11 pessoas em terra, na queda do avião que fazia a rota Karachi-Islamabad, numa zona residencial de Hussainabad, próxima de Islamabad.
- 03 junho 2012 -- Morrem os 153 ocupantes de um avião das linhas aéreas Dana Airair, e outras sete pessoas em terra, que colidiu contra um edifício em Iju (Lagos, Nigéria).
- 08 março 2014 - Desaparece um Boeing 777-200 da Malaysia Airlines, que descolou de Kuala Lumpur (Indonésia) com destino a Pequim, com 239 pessoas a bordo.
- 17 julho 2014 - Morrem os 298 ocupantes, a maioria holandeses (173), do avião Boeing 777 da Malaysian Arilines, abatido por um míssil no leste da Ucrânia, numa zona de combates entre separatistas pró-russos e forças governamentais, quando efetuava a ligação entre Amesterdão e Kuala Lumpur.
- 28 dezembro 2014 -- Morrem os 162 ocupantes de um Airbus 320-200 da AirAsia, a maioria indonésios, que tinha descolado de Surabaia, na Indonésia, com destino a Singapura e caiu no mar de Java, a sudoeste da ilha de Bornéu
- 24 março 2015 - Um Airbus A320 da companhia alemã Germanwings despenhou-se perto da cidade de Barcelonette, a cerca de 100 quilómetros a norte de Nice, no sul de França, tendo morrido os 150 ocupantes, 50 dos quais espanhóis.
O voo 4U 9525 fazia a ligação entre Barcelona (Espanha) e Düsseldorf (Alemanha).
ARTIGO PARCIAL

Estado islâmico diz ter abatido avião no Egipto. Autoridades não confirmam

 Mariana Adam

Morreram 224 pessoas neste alegado ataque a um avião russo que se despenhou no Monte de Sinai, no Egipto. Mais de 100 corpos foram retirados dos escombros.
Estado islâmico diz ter abatido avião no Egipto. Autoridades não confirmam
"Os soldados do Califado conseguiram abater com sucesso um avião russo na província do Sinai transportando 220 cruzados que foram mortos", escreveu o grupo extremista numa mensagem na rede social Twitter. A imprensa internacional refere que a mensagem sinaliza que este ataque se trata de uma "represália" à intervenção russa na Síria. 
O ministro russo dos transportes foi o primeiro a reagir e diz que "até ao momento não existe qualquer prova de que este acidente tenha sido um atentado".
Já o porta-voz do exército do Egipto, Mohamed Samir, afirmou ao Guardian: "Eles podem escrever o que quiserem, mas até agora não há nada que indique que os terroristas foram responsáveis por este desastre de avião. Vamos conhecer as verdadeiras  razões quando a autoridade civil, em coordenação com as autoridades russas terminarem as investigações". 
A mesma fonte revela que as autoridade egipcias aceitaram a participação da policia russa nas investigações.
Poucas horas depois do acidente a BBC noticiou a existência de especulações sobre possível envolvimento de radicais islâmicos no acidente, já que a região do Sinai conta com uma rede activa de militantes aliados ao grupo extremista autodenominado "Estado Islâmico", mas as autoridades descartaram esse possibilidade. 
O Monte Sinai (também conhecido como Monte de Moisés”) está situado no sul da península do Sinai, no Egipto. Esta região é considerada sagrada por três religiões: cristianismo, judaísmo e islamismo.
Já foram resgatados mais de 100 corpos
A embaixada da Rússia no Cairo confirmou ao início da tarde que todos os 224 passageiros a bordo do avião russo que caiu hoje no Monte do Sinai, no Egipto, morreram. Eram 217 passageiros - entre os quais 17 crianças - e 7 membros da tripulação. 
"Infelizmente, todos os passageiros do voo 9268 da Kogalymavia, entre Sharm-el-Sheikh e São Petersburgo, morreram. Enviamos as condolências às famílias e amigos", referiu uma mensagem na página do Facebook da embaixada russa, citado pela agência de notícias AFP.
O primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, comentou também no Facebook que está “profundamente abalado” com o acidente. Enquanto, o presidente russo Vladimir Putin anunciou para amanhã um dia de luto nacional pelas vítimas do voo.
A CNN avança que já foram retirados cerca de uma centena de corpos do local do acidente. A mesma fonte revela que o piloto tentou fazer uma aterragem de emergência, mas não conseguiu chegar ao aeroporto mais próximo e que a caixa negra do avião já foi encontrada.
O avião, que tinha como destino São Petersburgo, caiu ao sul da cidade egípcia de Al-Arish, capital da província do Norte de Sinai, pouco depois de levantar voo de Sharm-el-Sheik, com 224 pessoas a bordo.
A Reuters chegou a avançar que as equipas de resgate ouviam vozes nos escombros, o que criou a esperança de haver sobreviventes, mas o governo do Egipto confirmou perto das 12horas (em Portugal Continental) que não há sobreviventes. 
O avião partiu da localidade turística de Sharm El Sheikhtinha e tinha como São Petersburgo. De acordo com a imprensa internacional, a maioria dos passageiros eram turistas do resort egípcio de Sharm el-Sheikh, no mar vermelho.
O avião da companhia Kogalymavia informou que o voo saiu de Sharm el-Sheikh às 6h51, hora de Moscovo (3h51em Lisboa) e estava previsto aterrar no aeroporto Pulkovo em São Petersburgo às 12h10.
Alegadamente o avião deixou perdeu o contacto com terra 23 minutos depois da descolagem.
Notícia actualizada às 15h20

Imagens de soldados baleados pela Renamo no Hospital de Quelimane

No Hospital Provincial de Quelimane, um número não especificado de militares na casa mortuária, 6 na sala de reanimação e 4 na ortopedia é o balanço dos ataques do dia 29 de Outubro, em Morrumbala.



Evangelho segundo Damião José


Damião José reafirma intenção de desarmar Renamo pela força


Damião José, porta-voz da Frelimo e deputado da Assembleia da República, reafirmou o desejo da Frelimo de desarmar a Renamo de forma compulsiva. Falando ontem a partir do pódio da Assembleia da República, na sessão reservada às comunicações antes da Ordem do Dia, Damião José disse que o desarmamento da Renamo é um imperativo nacional, sendo esta uma afirmação que contraria o outro discurso da Frelimo de que precisa de dialogar com a Renamo.
“A Frelimo reitera que é imperioso o desarmamento dos homens armados da Renamo para beneficiarem das oportunidades que o fundo da paz e reconciliação lhes abre”, afirmou o deputado, que é um dos indivíduos que tem demonstrado ódio à Renamo e ao seu presidente, tendo mesmo chegado a compará-lo ao Diabo e a um “jihadista”. Damião José diz que o desarmamento da Renamo “é um imperativo nacional e desejo inequívoco do povo moçambicano.”
Em resposta a Damião José, o deputado da Renamo José Manteigas explicou que as armas que a Renamo tem e que a Frelimo pretende arrancar à força “resultam do estatuído no n.o 8 do Protocolo 5 do Acordo Geral de Paz”. José Manteigas afirma que, “durante 23 anos [a Renamo] nunca tirou uma bala, nunca vendeu nem alugou uma arma de fogo”. Manteigas desafiou a Frelimo a desarmar-se antes de desarmar a Renamo.
“Esses que pretendem desarmar a Renamo andam armados até aos dentes e têm armas aqui na sala. Usam essas armas para atormentar os inocentes”, declarou. “Que moral tem um partido armado até aos dentes para exigir o desarmamento a um outro partido político?”, perguntou Manteigas, que acusa a Frelimo de ter esquadrões de morte que fazem vítimas no país.
“Desarmem as vossas mentes. Mataram Siba-Siba Macuácua, mataram Cardos Cardoso, mataram o professor Cistac, mataram Paulo Machava”, acusou José Manteigas.

Quem manda na Frelimo?

José Manteigas falou também dos frequentes ataques à Renamo pelas Forças de Defesa e Segurança. Diz que há desordem na Frelimo e acusa Filipe Nyusi de cinismo.
O deputado diz que ataques daquela envergadura só podem ter acontecido sob o comando do chefe dessas Forças, “neste caso, o Presidente da República.” Manteigas questiona que tipo de diálogo Nyusi pretende, se o diálogo verdadeiro ou o “diálogo de armas”.
“Preocupa-nos o silêncio cúmplice da sua pessoa [Filipe Nyusi] associado aos discursos dos acólitos do Diabo, como é caso do senhor Damião José, entre outros, que claramente contrariam o discurso da paz”, disse, e pergunta:
“Afinal quem manda na Frelimo é o presidente? É o porta-voz e a sua ‘gang’?”. (André Mulungo)

CANALMOZ – 30.10.2015

“Actual situação política é normal em democracia”, diz Eanes


“A actual situação política é uma situação democrática normal”, disse esta sexta-feira António Ramalho Eanes, à margem de um almoço homenagem pelos seus 40 anos como máximo responsável da RTP, organizado por um grupo de trabalhadores da empresa num restaurante de Lisboa.
Ramalho Eanes
“A democracia é o conflito de ideias e de interesses, é um conflito, contudo tolerante, civil e que não utiliza armas”, considerou o antigo Presidente da República. Por isso considerou normal a actual situação política, salientando que a tensão existente faz parte.
“Não podemos olhar para a democracia como um regime de economia de tempo, a democracia são as eleições, as escolhas das eleições, é o tempo que as instituições demoram para se estabelecer, para receber os novos titulares”, disse.
Recorda-se que a posse, esta sexta-feira, do actual Governo e as já anunciadas moções de rejeição levaram sectores da esquerda política a considerar este processo como uma perda de tempo dada a inevitabilidade da queda do executivo liderado por Pedro Passos Coelho. Do mesmo modo, a adequação dos trabalhos da Assembleia da República à solução governativa também suscitou reparos, nomeadamente sobre a constituição e labor das comissões parlamentares.
Contudo, Ramalho Eanes não deixou de reflectir, de forma crítica, sobre o tom do actual debate político. “Vejo com preocupação a crispação dos dirigentes políticos que é desnecessária”, admitiu. Embora se tenha recusado a identificar a quem se referia, admitiu implicitamente vir a fazê-lo. “Só me vou pronunciar quando este ciclo político aberto pelas eleições tenha terminado”, concluiu.

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