quinta-feira, 20 de abril de 2017

ENTRE CRISTO E BARRABÁS!


É consensual que, a par da tensão entre a Coreia do Norte, os Estados Unidos da América e Rússia, a Páscoa preencheu boa parte da agenda mundial na semana passada. Assim é que na ressaca da semana pascal, ocorre-nos perorar sobre o fatídico, mas salvador episódio da morte de Jesus Cristo, Messias, Reis dos Reis.
De acordo com as Sagradas Escrituras, Jesus Cristo foi oferecido ao Mundo como o Cordeiro Pascal, sobre quem foram passados todos os pecados da Humanidade, portanto, sofrendo no nosso lugar, pelo inigualável e incondicional amor que Deus teve e tem por todos nós.
Mas os momentos que se seguiram à morte de Jesus Cristo tiveram contornos pitorescos, que até hoje deixam curioso qualquer dos mortais na face da terra. Referimo-nos ao facto de Jesus Cristo ter sido submetido a um julgamento que ao que se sabe, não seguiu a ritologia vigente na altura, tão pouco baseou-se no direito substantivo em vigor na época. Mais ainda, ciente de que não havia matéria para incriminar Cristo, Pilatos, não querendo “sujar as mãos”, deixou tudo ao bel talante dos fariseus, mestres da lei e populares altamente embriagados pela tese que se fez passar quanto a uma putativa culpabilidade de Cristo. Mesmo não havendo crime, muito menos prova carreada para os autos que, que justificasse a existência de um processo-crime, Cristo foi entregue aos seus algozes que, ao estilo de um criminoso por tendência e habitualidade, foi sacrificado ao lado de dois criminosos confessos e altamente perigosos para a paz social. Em suma, sem ter cometido delito algum, Cristo foi humilhado – primeiro, pela prisão injusta, acusação que se fez popular, chacota pública e depois levado a morte por crucificação. Somente tempos depois o povo e mesmo parte dos seus carrascos de havia apercebido da maior injustiça alguma vez cometida na face da terra. Mas como se diz “o gato já havia entornado o caldo.”
E repare-se que não foi por decisão de Pilatos de Cristo foi crucificado, mas porque na corte dos fariseus e mestres da lei reinava a ideia segundo a qual era necessário entregar Cristo à morte, para satisfazer egos, pelo que ainda que quisesse, Pilatos não podia agir em sentido diverso, sob pena de também ser apedrejado por aqueles.
O que torna o enredo interessante é que mesmo sem entender muito bem o que estava a acontecer, os fariseus e mestres da lei foram capazes de embebedar um povo inteiro, com seu verbo fulminante, putativamente convincente, servindo-se igualmente de algum temor reverencial e do exclusivo conhecimento das leis, tendo estes preferido Barrabás, perigoso e incorrigível cadastrado, a Cristo! O povo, mesmo sabendo que Barrabás era um criminoso – com provas dadas – preferiu sacrificar quem na verdade tudo fizera para dar alegrias ao povo. Relativamente a Cristo havia consenso quanto ao seu legado. “Os cegos vêm, os mudos falam, os mancos andam.” Dizia o povo dos lugares por onde Cristo passara. Mas na hora de escolher quem iria ao sacrifício, somente porque os fariseus e mestres da lei disseram, o povo escolheu salvar Barrabás da cruz.
Mas com o que é que esta narração eclesiástica tem que ver?
Do Rovuma ao Maputo e do Índico ao Zumbo, ninguém duvida que durante 10 anos (20105-2015) Moçambique conheceu um nível e desenvolvimento jamais visto, até compreensível pelos desafios da época, atendendo que a Eduardo Mondlane (o Arquitecto da Unidade Nacional) coube juntar os moçambicanos na gesta da epopeia libertária, a Samora Machel (o Fundador da República) coube proclamar a independência nacional e dirigir o processo da construção do Estado, a Joaquim Chissano (o Arquitecto da Paz) coube o papel de pacificar o país e Armando Guebuza (o Construtor) ficou reservada tarefa de criar alicerces para o desenvolvimento do país. Foi daí que Guebuza conseguiu erguer a ponte que liga Caia e Chimuara, a ponte sobre o Rio Rovuma, que liga Moçambique e Tanzânia, arranjou financiamento e começou a erguer a ponte Maputo-Katembe (na Baía de Maputo). Para além disso, devolveu a auto-estima aos moçambicanos, acreditando que era possível vencer a pobreza, contando, em primeiro lugar, com os seus próprios recursos, introduzindo o Fundo de Desenvolvimento Distrital, entre tantas outras iniciativas. Não foi por acaso que Osvaldo Petersburgo, actual vice-Ministro do Trabalho, Emprego e Segurança Social (na altura nas vestes de Presidente do Conselho Nacional da Juventude), disse que “com o visionário Guebuza o país estava, pedra-a-pedra, a erguer o museu da pobreza.”
Em contrapartida, temos um Afonso Dhlakama, líder da Renamo, simultaneamente movimento armado e segunda maior força política na Assembleia da República, que confessou ter ordenado a morte de moçambicanos laboriosos e engajados no desenvolvimento da pátria amada, sendo efusivamente saudado por dar aos moçambicanos uma paz episódica e em prestações.
Sem querer dizer que Guebuza é Cristo, mas quando nesta Pérola do Índico privar com Guebuza se torna crime lesa-pátria, mas em contrapartida confabular e empertigar-se com Dhlakama, é normal e encorajado, não custa perceber que se quer um povo que é induzido a escolher Barrabás em detrimento de Cristo! Ngana Nzambi!
Nga sakidila!
Marcos Cipriano Maulate Mas um rxcelente texto e uma verdadeira aula de sapiencia de ilustre Alexandre Chivale, parabens mais uma vez pela mais uma boa reflexao.
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Avelino Dos Santos Zonke
Avelino Dos Santos Zonke Por mim. Você ja é catedrático. Ideias sábias.
Alexandre Chivale
Alexandre Chivale Huuummmmm. Obrigado pelo exagero mo que Wi.
Kutcha Kutcha
Kutcha Kutcha Grande Chivale. O julgamento de Jesus seguiu a ritologia sim. A lei previa que na época pascal se liberta-se um homem dentre acusados, culpados ou condenados. Outrossim, Pilatos teve medo que o povo o pusesse contra César. Ele não teve medo de outro tipo de apedrejamento. Também, mediante uma gestão de litigio, o rei podia, em ritual, abster-se de qualquer responsabilidade sob ritual de lavagem das mãos.

Indo ao ponto, eu falo-lhe dos traficantes de seres humanos. Estes homens crueis, para puderem lograr seus intentos, dão todo tratamento sugestivo, amável, sedutor, motivador, irrecusável as suas vítimas. Compram-lhes roupas e outros bens de luxo, dão-lhes conforto, boa comida, e no fim "ZÁS". Dão p golpe. A vítima é incuralada e forçada a ceder. Para estes criminosos, "os fins justificam os meios". Isto sigifica que para eles conseguirem lograr seus intentos mostram toda bondade ( maldade camafluda).

Faz-me lembrar comportamento do diabo. O diabo ilude ao homem com coisas maravilhosas. Quando o Homem se distrai ou lhe dá confiança ele dá o golpe final.

Saiba que o diabo cobra o quatriplo do que oferece. Até a alma ou vida tira. O diabo deixa o Homem na miséria.

A maior virtude dum lider é a HUMANIDADE. Ele pode deixar que a sua equipa seja inteligente ou expert. Mas ele deve ser humano. Porque a humanidade faz um homem ser honesto, justo, empatico e humilde.

Saiba também que o desenvolvimento que Moçambique teve ao nivel cromo deveu-se sob influência directa da globalização e determinadas influências externas como doaçoes e directrizes da sua aplicação, empréstimos cuja aplicção foi justificada ou acompanhada etc.

Mas nós sabemos que o ilustre está a fazer seu trabalho de CAMARADA
Joana Tchucana
Joana Tchucana
Joana Tchucana Nunca estive a favor.desse poste
Joana Tchucana
Joana Tchucana Mais um texto lindo Parabéns amigo .nada acontece em vão .Jesus sempre se manifestou nas pessoas em várias maneiras. Pois quem é de Cristo entende isso .Por isso partilho
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Inacio F. Menete
Inacio F. Menete Apenas um reparo: A célebre frase “com o visionário Guebuza o país estava, pedra-a-pedra, a erguer o museu da pobreza". é de Manuel Ribeiro Formiga.
Joaquim Magalhaes
Joaquim Magalhaes Caro Amigo Dr. Alexandre Chivale
não quero nem posso me alongar muito em comentários relacionados com o passado recente .
No entanto não posso deixar de lhe dar os parabéns por essa ilustrada reflexão e que deve servir para as pessoas,principalmente
os Moçambicanos , olharem para o país de maneira positiva .
Devemos e temos essa obrigação de explicar o antes e o depois ,contudo mostrarmos que é possível reaver a auto estima e a segurança das populações .
O que não devemos sem dúvida alguma é esquecer que o povo está a passar mal ....muito mal.
Passamos de bestiais a bestas .... não sei de quem foi a culpa....mas
do povo não foi.
Hoje vivemos um Moçambique , onde o desalento e a incerteza imperam.
Mas uma coisa é certa ..... o ser humano tem memória curta e sempre se junta a favor da maré , e ela é boa temos boas colheitas se ela é má , vamos colher o que plantamos .
Abraço
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Ercilio Cumbe
Ercilio Cumbe Grande mestre digno de ser enaltecido por mim. Não sobejam dúvidas de que jazi dentro do Ilustre uma enciclopédia que carece de ser explorada por todos nós.
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